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Bolsa fecha o último pregão do mês com queda de 2,7%; dólar fica a R$ 5,48

Preocupações com o Orçamento de 2021, somados ao movimento de venda de ações no Ibovespa característico do final do mês, ajudaram a derrubar o mercado brasileiro

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 09h15
Atualizado 31 de agosto de 2020 | 18h28

A Bolsa de Valores de São Paulo, B3, encerrou na mínima do dia e com forte queda de 2,72%, aos 99.369,15 pontos, nesta segunda-feira, 31, no último pregão de agosto. Apesar da sessão ter sido marcada pela cautela com o Orçamento de 2021, prevaleceu nos negócios o movimento de venda de ações característico do final do mês. Esse cenário de ajuste também afetou o dólar - hoje, a divisa fechou com alta de 1,21%, a R$ 5,4806, em um dia negativo para boa parte das moedas emergentes. 

O Orçamento de 2021 considera uma projeção de receita primária total R$ 1,560 trilhão, abaixo dos R$ 1,671 trilhão estimado na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada ao Congresso em abril. Já As despesas totais devem chegar a R$ 1,516 trilhão no próximo ano. Em 2020, com os gastos emergenciais para o enfrentamento da pandemia de covid-19, os gastos totais estão estimados em R$ 1,982 trilhão. Já o limite do teto de gastos foi fixado em R$ 1,485 trilhão.

 

"A sinalização dada pela proposta de Orçamento para 2021 não foi ruim, veio dentro do que o mercado esperava. A previsão de déficit foi um pouquinho menor do que o mercado estimava. É uma proposta realista, o que agrada, e, com relação a despesas primárias, mostra um enfoque diferente em relação a 2016 [quando Dilma Rousseff deixou o governo, em razão de 'pedaladas fiscais']", observa Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. 

A falta de acontecimentos na área econômica também pesou. "Não tem notícia positiva que sustente o índice, então os 'vendidos' acabam prevalecendo em ajuste técnico de fim de mês", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. Alguns movimentos de venda em ações específicas, como a queda de 5,92% de Hypera, contribuíram para sustentar o volume neste fim de sessão.

Assim, apesar de ter se mantido sem interrupções na marca de seis dígitos entre os fechamentos de 14 de julho e 14 de agosto, e devolvida algumas vezes desde então, o principal índice da B3 ficou abaixo dos 100 mil pontos nesta segunda-feira, saindo de 102.141,62 na máxima da sessão, com abertura a 102.141,53 pontos. Dessa forma, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, interrompeu em agosto uma série de quatro ganhos mensais consecutivos, e expressivos, desde o abismo de 29,90% março. Com os resultados, a Bolsa encerrou o mês com perda de 3,44% e cede agora 14,07% no ano.

As perdas foram bem distribuídas na sessão de hoje. Bradesco On caiu 4,52%, Gerdau Pn recuou 2,60% e Eletrobrás On cedeu 5,28%. Ainda hoje, Petrobrás On encerrou com queda de 3,42%, em sintonia com os contratos futuros de petróleo - hoje, WTI para outubro fechou em queda de 0,84%, a US$ 42,61 o barril, enquanto o Brent para novembro caiu 1,16%, a US$ 45,28 o barril.

Câmbio

O dólar voltou a subir, com renovadas preocupações sobre a situação fiscal do Brasil, que persistiram após o governo entregar ao Congresso a proposta de Orçamento para 2021. Com a nova alta, a moeda americana fechou agosto acumulando valorização de 5,05%, a maior desde março, quando disparou 16% em meio ao início da pandemia do coronavírus e das medidas de distanciamento social. Em 2020, a divisa dos EUA sobe 36,6%.

Para o diretor de Tesouraria do Banco Daycoval, Paulo Saba, o principal fator a influenciar as cotações hoje no câmbio, o imponderável, é a questão fiscal no Brasil. "É o fiscal e a movimentação política em torno do fiscal. O misto disso está fazendo preço e vai continuar em setembro", diz ele. "Hoje, a apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2021 foi a pontinha do iceberg", completou.

Já os analistas do JPMorgan avaliam que a política fiscal para 2021 está "no fio da navalha", em um equilíbrio "muito instável". Neste ambiente, o mercados financeiro permanece preocupado com a possibilidade de "uma abordagem de política econômica mais populista" por parte do governo, já de olho nas eleições de 2022. O cenário-base do banco americano é que o governo não vai prosseguir com aumento de despesas nem modificar o teto de gastos, que precisa de emenda constitucional, ou seja, não conseguiria ser feito a tempo, mas as incertezas persistem, ressaltam em relatório. Para o banco, o risco de furar o teto de gasto cresceu nas últimas semanas.

Bolsas do exterior

Um clima misto também tomou espaço no exterior hoje, com uma das principais Bolsas, a de Nova York, fechando sem sentido único nesta segunda. O Dow Jones fechou em baixa de 0,78%, enquanto o S&P 500 teve perda de 0,22%. Já o Nasdaq encerrou com alta de 0,68%, em um novo recorde de fechamento, aos 11.775,46. O setor de tecnologia voltou a se destacar, mantendo movimento recente. Apple subiu 3,39%, após o desdobramento de ações que passou a vigorar hoje, enquanto Intel avançou 1,03%.

Já na Europa os índices fecharam sem registrar ganhos em um dia de pouca liquidez e com o mercado britânico fechado devido a um feriado local. Por lá, o Stoxx 600 encerrou com baixa de 0,63% em meio às preocupações com o avanço do coronavírus em algumas cidades europeias. A Bolsa de Frankfurt recuou 0,67%, enquanto a de Paris perdeu 1,11%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram perdas mais acentuadas de 1,04%, 2,29% e 0,96% cada. 

Nos mercados asiáticos, a queda para 51 entre julho e agosto do setor industrial da China segurou os ganhos em algumas Bolsas, mas os índices ficaram sem sentido único por lá. Os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto recuaram 0,24% e 0,44% cada, enquanto o Hang Seng se desvalorizou 0,96% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi perdeu 1,17% e o Taiex cedeu 1,08% em Taiwan. A exceção por lá foi o japonês Nikkei, que subiu 1,12%. A Bolsa australiana encerrou com queda de 0,22%./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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