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Bolsa fecha em alta de 2,5% e dólar fica a R$ 5,58 com ambiente mais favorável

Ibovespa voltou aos 97 mil pontos com o apoio dos papéis dos bancos e do setor de commodities e se descolou de Nova York, que teve ganhos modestos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 09h05
Atualizado 08 de outubro de 2020 | 18h09

Apesar dos ganhos contidos do mercado acionário de Nova York, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, conseguiu se sustentar em alta nesta quinta-feira, 8, com o apoio do setor bancário e de commodities, e encerrou com forte ganho de 2,51%, aos 97.919,73 pontos - perto da máxima do dia. O ambiente de menor percepção de risco também favoreceu o real, com o dólar fechando em baixa de 0,65%, a R$ 5,5886.

Com desempenho fraco em 2020, as ações de bancos tiveram um pregão favorável. Hoje, a unit do Santander subiu 8,11%, Itaú Unibanco PN teve alta de 6,04% e Bradesco ON avançou 5,67%. Também ajudou o movimento de alta o ganho de Vale ON, com 1,86% e Petrobrás PN e ON, com 3,28% e 3,42% cada. O ganho da petroleira foi apoiado hoje também pelo bom resultado do petróleo no exterior: WTI para novembro fechou com ganho de 3,10%, a US% 41,19 o barril, enquanto o Brent para dezembro encerrou com alta de 3,22%, a US$ 43,34 o barril.

   

"A avaliação do UBS para os bancos brasileiros divulgada hoje, com perspectiva de lucro maior e custo de risco melhor no terceiro trimestre, ajudou o setor como um todo, em especial Itaú, mantida a preferência da instituição pelo banco entre os grandes pares brasileiros", observa Bruno Musa, sócio da Acqua Investimentos. "A análise é de que a inadimplência vai ter um impacto menor sobre os resultados do setor do que se antevia para o terceiro trimestre."

No quadro mais amplo, Musa, da Acqua, aponta que os ganhos no Ibovespa se acentuaram no momento em que saíam os dados sobre seguro-desemprego no Brasil referentes a setembro, em forte queda ante o mesmo mês do ano passado, mas ainda em expansão quando se considera o acumulado nos nove primeiros meses de 2020. "É preciso tomar esses dados com cuidado porque a concessão do auxílio emergencial pode estar reduzindo o número de pessoas em busca de trabalho no momento", acrescenta, chamando atenção também para o desempenho positivo das vendas do varejo em agosto, divulgado pela manhã, que já contribuía para o avanço do Ibovespa nesta quinta-feira.

Por aqui, as ações do setor bancário, com destaque para SantanderItaú Unibanco PN Bradesco PN, ajudaram a manter o Ibovespa, com destaque também para o bom desempenho dos papéis da Petrobrás, que foram favorecidos pela alta dos contratos futuros de petróleo no exterior, com WTI para novembro fechando com ganho de 3,10%, a US% 41,19 o barril, enquanto o Brent para dezembro encerrou com alta de 3,22%, a US$ 43,34 o barril.

A percepção de fundo é de que a volatilidade deve continuar dando o tom aos negócios na B3 nas próximas semanas, com a incerteza relacionada ao desenlace das eleições americanas e à definição, apenas depois das eleições municipais no Brasil, do Renda Cidadã, programa que deverá substituir o auxílio emergencial a partir de 2021. Hoje, em mais uma guinada de posição, o presidente Donald Trump disse que não comparecerá ao debate virtual que estava programado com o democrata Joe Biden.

A decisão mexeu com o mercado de Nova York, que já vinha com os ganhos abalados devido ao impasse em torno das medidas de incentivo. Hoje, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, rejeitou um pacote fiscal reduzido que forneceria apenas ajuda financeira a companhias aéreas. No entanto, ela continua motivada "Estamos nas mesas de negociações, tivemos alguns progressos", disse. A resposta ajudou a manter o fôlego dos principais índices dos EUA, que fecharam em alta, mas com ganhos contidos: Dow Jones subiu 0,43%, S&P 500 teve ganho de 0,80% e Nasdaq avançou 0,50%.

Câmbio

O dólar engatou queda nos negócios da tarde, após uma manhã volátil. A perda de força da moeda americana no exterior, em meio à renovadas expectativas por um pacote de estímulo nos EUA, ajudou a retirar pressão do câmbio no mercado doméstico. A ausência de noticiário negativo doméstico também ajudou e investidores aproveitaram para realizar ganhos recentes - dos cinco pregões deste mês até ontem, o dólar só caiu em um. Hoje, o dólar para novembro encerrou com queda de 0,19%, a R$ 5,6065.

Para a economista da corretora Stifel, Lindsey Piegza, com as eleições se aproximando, cresce a pressão em Washington para um acordo que aprove um pacote grande de estímulos para empresas e pessoas, especialmente com a atividade perdendo fôlego. Com a Câmara parada e o Senado postergando votações até ao menos o próximo dia 19, por causa de casos de coronavírus entre os senadores, ela acha pouco provável que um acordo saia por agora, mas os mercados parecem acreditar nessa possibilidade.

Já por aqui, o cenário fiscal ainda chama a atenção."O real permanece sujeito a numerosos riscos no curto e no médio prazo", comenta a analista de moedas do Commerzbank, You-Na Park-Heger. Ela prevê que a moeda brasileira vai seguir desvalorizada ao menos até meados de 2021, quando tem chance de cair abaixo de R$ 5,00. A analista ressalta que a delicada situação fiscal do Brasil não vai se resolver por agora e sempre fica no radar dos investidores a possibilidade de o ministro da Economia, Paulo Guedes, sair do governo./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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