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Dólar fecha a R$ 5,52 com possibilidade de novos estímulos nos EUA; Bolsa cai 0,45%

Aparente disposição de Trump em negociar medidas de incentivo derrubou o dólar em boa parte dos mercados; na B3, queda das ações da Petrobrás segurou o Ibovespa

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2020 | 09h10
Atualizado 09 de outubro de 2020 | 18h07

O real ganhou fôlego ante o dólar nesta sexta-feira, 9, em um dia no qual ele caminhou com fraqueza ante a maioria das moedas globais, tanto emergentes quanto as consideradas fortes. Em resposta, a moeda americana terminou com recuo de 1,11%, a R$ 5,5264, na menor cotação desde 24 de setembro. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, foi na contramão do mercado de Nova York e encerrou com leve queda de 0,45%, aos 97.483,31 pontos, puxado essencialmente pela queda das ações da Petrobrás, em um dia negativo para o petróleo no exterior.

Depois de quatro semanas consecutivas acumulando altas, o dólar caiu 2,5% nos últimos cinco dias, graças à melhora do cenário externo e uma trégua no noticiário político negativo interno. Contribuiu para derrubar o preço da moeda, a aparente disposição do presidente americano, Donald Trump, de voltar a negociar medidas de estímulos, após barrar as conversas para até depois das eleições. "Queria ver um pacote maior do que os republicanos e os democratas, que o dinheiro vá para as pessoas, elas não têm culpa", disse no programa de rádio do conservador Rush Limbaugh. 

 

Ainda de acordo com com Drew Hammill, porta-voz da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, ela e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, conversaram nesta sexta-feira sobre estímulos fiscais por "pouco mais de 30 minutos". Os republicanos aumentaram a oferta de estímulos, de US$ 1,6 trilhão, para US$ 1,8 trilhão, mas os democratas falam em ao menos US$ 2,2 trilhões. Apesar da animação dos mercados, analistas políticos estão céticos de que um pacote seja aprovado até as eleições do dia 3 de novembro.

No mercado doméstico, o estrategista da TAG Investimentos, Dan Kawa, destaca que a semana foi mais amena em termos políticos, com Bolsonaro e Maia mostrando apoio a ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e a uma agenda econômica de reformas. Além disso, indicadores da atividade seguem mostrando força. A luz amarela veio do IPCA de setembro, que mostrou aceleração de 0,64% ante agosto. O resultado também serviu para fechar a porta sobre a possibilidade de novos cortes da Selic, apontam estrategistas.

Já para os estrategistas do Citigroup em Nova York, a deterioração acentuada dos fundamentos fiscais brasileiros continua impedindo apreciação mais significativa do real. Por isso, mesmo que o cenário externo melhore, o real não deve se beneficiar integralmente. Nesse ambiente, o Citi vê o dólar na casa dos R$ 5,50 nos próximos três meses e R$ 5,45 entre 6 e 12 meses.

Mesmo com a queda semanal, o dólar ainda acumula valorização de 38% este ano, mantendo o real como a moeda com pior desempenho no mercado internacional. No mercado futuro, o dólar para novembro fechou em queda de 1,25%, a R$ 5,5365. O giro de negócios hoje foi o mais fraco da semana, com pouco mais de US$ 11 bilhões.

No fim de tarde em Nova York, o dólar caía a 105,62 ienes, o euro subia a US$ 1,1827 e a libra tinha alta a US$ 1,3043. Já o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante outras moedas fortes, caiu 0,53%, aos 93.057 pontos. Nesse cenário, o ouro foi beneficiado tanto pelo recuo da divisa quanto pela possibilidade de mais estímulos nos EUA e fechou com ganhos, no maior nível em três semanas. Hoje, o metal precioso com entrega prevista para dezembro subiu 1,64%, a US$ 1.926,20 a onça-troy, com ganho de 0,98% na semana. 

Bolsa

Ibovespa teve um desempenho positivo pela manhdã, chegando a romper o patamar dos 98 mil pontos na máxima do dia. No entanto, o índice perdeu o fôlego, com os investidores pouco interessados em correr riscos na véspera do feriado prolongado. Além disso, a queda das ações da Petrobrás, com ON e PN em baixa de 3,30% e 3,13% cada, ajudou a segurar os ganhos do índice.

O movimento veio em sintonia com a queda dos contratos futuros do petróleo no mercado internacional. Hoje, o WTI para novembro fechou com queda de 1,43%, a US$ 40,60 o barril, enquanto o Brent para dezembro encerrou em baixa de 1,13%, a US$ 42,85 o barril. Ajudou a derrubar o preço do barril o fim da greve dos trabalhadores de petrolíferas na Noruega. "O peso da Petrobrás é bem grande na Bolsa, então essa acentuação na baixa em realização ajudou a derrubar o índice nesta tarde", aponta Bruno Madruga, sócio da Monte Bravo Investimentos.

Além da petroleira, também caíram as ações do setor de siderurgia, com Gerdau em baixa de 2,02%. Na ponta positiva do Ibovespa, MRV fechou em alta de 8,51%, seguida por Magazine Luiza, com 6,84% e Cyrela, com 4,59%). Na semana, o índice acumula ganho de 3,69%, enquanto sobe 3,04% no mês. No ano, ainda dece 15,70%.

Hoje, o índice operou descolado de Nova York. Dow Jones subiu 0,57%, o S&P 500 avançou 0,88% e o Nasdaq teve ganho de 1,39%. Apesar dos resultados, o índice brasileiro fechou a semana com ganho semanal de 3,69%./ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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