Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Bolsa fecha com alta de 1,57% em dia de anúncio da Selic; dólar fica a R$ 5,29

Copom deve reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,00%, segundo projeta o mercado

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2020 | 09h51
Atualizado 05 de agosto de 2020 | 19h33

À espera de uma nova redução da taxa básica de juros e com o bom humor mostrado no mercado acionário em Nova York, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com alta de 1,57%, aos 102.801,76 pontos, nesta quarta-feira, 5. A possibilidade de um novo corte, no entanto, não agradou o dólar, que não manteve o movimento de queda visto no dia anterior, e encerrou com leve alta de 0,14%, a R$ 5,2930.

Desde o último corte feito pelo Copom, quando a taxa caiu para 2,25% ao ano, o mercado já projeta um novo corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic, taxa básica de juros da economia, aos 2,00% - menor patamar da séria histórica. O anúncio, contudo, será feito pelo Banco Central apenas quando o mercado já estiver fechado, por volta das 18h desta quarta.

"Há boas expectativas com o Copom. Com certeza, cortará 0,25 ponto mas o mercado está esperando mesmo se o Banco Central deixará a porta aberta por redução de mais 0,25", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. Ele ainda pontua que o bom humor do mercado na sessão de hoje se deve em grande parte à espera pelo anúncio da Selic.

Por aqui, o mercado ainda observou, com menos atenção, aos embates do governo quanto a reforma tributária. Hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que ser "maldade ou ignorância", comparar o novo imposto sobre transações digitais que está sendo desenhado com a CPMF. Ele também disse que o sistema tributário do País é um "manicômio"

Assim, em dia de forte desempenho das ações de Petrobrás, com PN e ON ganhando 6,43% e 6,45% cada, o Ibovespa manteve-se em alta, após quase perder os 100 mil pontos na sessão de ontem. Num cenário de valorização das commodities, a Vale também foi beneficiada e subiu 2,45%.

Na ponta positiva do índice, estão Multiplan, com 8,03% e Iguatemi, com 7,76%, com recepção também positiva ao balanço da operadora de shoppings. No lado oposto, Hypera cedeu 2,84%, Ambev, 1,64% e Cielo, 1,36%. Com o resultado de hoje, o Ibovespa quase neutralizou as perdas na semana, cedendo agora 0,11% e limitou as do ano a 11,11%

Câmbio

Em sessão de expectativa pela decisão do BC, o real acabou ficando com o pior desempenho ante 34 moedas mais liquidas no mercado internacional. Segundo profissionais das mesas de câmbio, se o BC deixar a porta aberta para futuros cortes, a pressão vai aumentar ainda mais no dólar. Hoje, o dólar futuro para setembro fechou com alta de 0,23%, a R$ 5,3000.  

Já no exterior, em meio à indefinição sobre o pacote de socorro fiscal dos Estados Unidos, o dólar testou hoje novas mínimas. O índice DXY, que mede a moeda americana ante divisas fortes, como o euro e o iene, caiu para a casa dos 92 pontos, no menor patamar desde maio de 2018.

Mercados internacionais

O dia foi favorável para as Bolsas do exterior, após a divulgação de dados econômicos animadores. O índice de gerentes de compras de serviços (PMI, na sigla em inglês) do Reino Unido subiu de 47,1 para 56,6 em julho, enquanto o da Alemanha foi de 47 para 55,3 no mesmo período. O PMI da zona do euro também saltou para 54,9. O número acima de 50 sugere expansão na atividade. Com o resultado, o Stoxx 600 teve ganho de 0,46%, enquanto a Bolsa de Londres avançou 1,14%. Paris subiu 0,90% e o índice de Frankfurt teve alta de 0,47%. Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,64%, 0,26% e 0,53% cada. 

No mercado asiático, a queda do índice de gerentes de compras da China de 58,4 em junho para 54,1 em julho não desanimou e os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto tiveram altas de 0,17% e 0,80% cada. O Hang Seng se valorizou 0,62% em Hong Kongo sul-coreano Kospi teve alta de 1,40% e o Taiex registrou ganho de 0,73% em Taiwan. Apenas o japonês Nikkei caiu 0,26%.

Já nos Estados Unidos, o setor privado criou 167 mil empregos em julho, bem abaixo da previsão de 1 milhão de postos de trabalho do The Wall Street Journal. A informação fez crescer a pressão em torno da aprovação do pacote de ajuda americano de US$ 1 trilhão. No entanto, o resultado não impediu as Bolsas de Nova de fecharem em alta, apoiadas principalmente pelos ganhos do setor de tecnologia. Dow Jones subiu 1,39%, S&P 500 teve ganho de 0,64% e Nasdaq avançou 0,52%, encerrando aos 10.998,40 pontos, novo recorde para um fechamento.

Petróleo e ouro

Animou o mercado, o recuo de 7,3 milhões de barris na semana encerrada em 31 de julho nos estoques de petróleo dos EUA, que foram a 518,5 milhões de barris. Os dados são do Departamento de Energia americano (DoE). A queda foi bem maior que a esperada por analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam diminuição de 1,8 milhões de barris. A produção média diária também caiu, de 11,1 milhões para 11 milhões de barris. 

Em resposta, o WTI para setembro, referência no mercado americano, encerrou em alta de 1,18%, a US$ 42,19. Já o Brent para outubro, referência no mercado europeu, avançou 1,67%, a US$ 45,17.  

O ouro também teve um novo dia de recordes, motivado pelo enfraquecimento da moeda americana, após dados menores que o esperado para a geração de vagas no setor privado e o impasse na aprovação do pacote trilionário. Hoje, o ouro para dezembro fechou em alta de 1,40%, a US$ 2.049,30 por onça-troy. Ao longo do dia, bateu na máxima de US$ 2.070,3 por onça-troy./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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