Reuters
Reuters

Bolsa fecha com queda de 1,6% em dia marcado pela cautela; dólar fica a R$ 5,36

No exterior, tensão em torno do pacote de estímulos americano preocupa; por aqui, mercado observou atento o impasse no governo em torno da manutenção do teto de gastos

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 09h39
Atualizado 13 de agosto de 2020 | 18h26

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, perdeu o patamar dos 102 mil pontos alcançados no pregão anterior, para encerrar com queda de 1,62%, aos 100.460,60 pontos, em um dia marcado pelo impasse na aprovação do pacote de estímulos americano e também pelas idas e vindas do governo local em relação à manutenção do teto de gastos. O câmbio, no entanto, operou descolado do clima de cautela e o dólar fechou com baixa de 1,53%, a R$ 5,3677.

Por aqui, o discurso de Jair Bolsonaro na última quarta-feira, 12, ao lado dos presidentes do SenadoDavi Alcolumbre (DEM-AP) e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pela defesa do teto de gastos não empolgou o mercado, que esperava por um aceno mais firme do presidente ao ministro da EconomiaPaulo Guedes, após a debandada de dois secretários da sua equipe.

"O discurso do Bolsonaro foi para baixar a poeira. A pressão para ampliar os gastos públicos no ano que vem será enorme, já pensando na reeleição", diz Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa da Renascença. Prova disso pode ser vista hoje. Segundo apurou o Estadão, ontem mesmo, após defender o teto, o governo selou com lideranças a criação de uma medida provisória com crédito extra de R$ 5 bilhões para bancar investimentos em infraestrutura.

"O pronunciamento único dos poderes em defesa do teto foi importante, mas o mercado voltou a colocar [a necessidade de] novas medidas para amenizar a situação fiscal, em vista das últimas sinalizações do governo", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Já no exterior, o desconforto com a falta de acordo entre republicanos e democratas por novos estímulos fiscais pesou desde a abertura da Bolsa. A porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, fez novo clamor pelo pacote. "Nancy Pelosi  [presidente da Câmara dos Representantes] precisa voltar do recesso e negociar pacote fiscal", afirmou

Entre as perdas do pregão de hoje, chama a atenção a queda de 2,73% e 2,95% de  Petrobrás PN e ON - o resultado vem em sintonia com a queda do petróleo no mercado mundial. Hoje, WTI para setembro, referência no mercado americano, encerrou com baixa de 1,01%, a US$ 42,24 o barril, enquanto o Brent para outubro, referência no mercado europeu, teve perda de 1,03%, a US$ 44,96 o barril.

Caíram ainda Vale ON, com 1,87% e Santander, com 3,67%. As ações da Eletrobrás ON também encerraram com baixa de 6,94%, com o temor de que a saída de Paulo Uebel atrapalhe os planos de privatização da companhia. Já BRF cedeu 7,80%, após um lote de asas de frango brasileiro importado pela China testar positivo para o coronavírus.

Com os resultados de hoje, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, acumula agora queda de 2,2% na semana e de 2,38% no mês. No ano, as perdas saltaram para 13,13%.

Câmbio

Após um dia de estresse ontem, que levou o dólar a subir perto de 2%, o mercado de câmbio devolveu hoje em cotação mais do que a alta vista na véspera e a divisa americana voltou para a proximidade da cotação do último dia 6 de agosto (R$ 5,3432). No exterior, o dólar teve comportamento misto, mas perdendo valor frente a moedas relevantes como o rublo e peso Mexicano, neste caso, reduzindo as perdas após o banco central local ter anunciado corte de 50 pontos-base na taxa básica de juros.

O índice DXY do dólar, que mede as variações da moeda americana frente a outras seis divisas relevantes, seguiu em queda durante o dia, oscilando aos 93,265 pontos. Já o dólar para agosto terminou o dia cotado a R$ 5,3710, uma baixa de 1,26%.

Mercados internacionais

O impasse na votação dos estímulos fiscais prometidos pelo governo americano fez o mercado acionário de Nova York fechar sem sentido único nesta quinta. O Dow Jones encerrou em baixa de 0,29% e o S&P 500, terminou com desvalorização de 0,20%. O Nasdaq, no entanto, avançou 0,27%, sustentado pela forte alta dos papéis da Apple, de 1,77% e do Facebook, de 0,54%.

No velho continente, o mesmo pacote fiscal travado na Câmara derrubou os índices e fez o Stoxx 600 encerrar com baixa de 0,63%. A Bolsa de Londres cedeu 1,50%, a de Paris caiu 0,61% e a de Frankfurt se desvalorizou 0,50%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram perdas de 0,88%, 0,62% e 0,06% cada.

O mercado asiático, no entanto, fechou descolado dos demais, apoiado pela alta de ontem do mercado acionário de Nova York. Os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 0,04% e 0,06% cada, enquanto o japonês Nikkei subiu 1,78%. Já o sul-coreano Kospi avançou 0,21% e o Taiex registrou alta de 0,73% em Taiwan. Em Hong Kong, no entanto, o Hang Seng contrariou o tom positivo e fechou com ligeira baixa de 0,05%. Já a Bolsa australiana caiu 0,67%./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E SIMONE CAVALCANTI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.