Cotações do minério de ferro pressionaram o IGP-M

Avanços na política anti-inflacionária são essenciais para permitir queda de juros e retomada do ritmo da atividade

O Estado de S. Paulo

31 Dezembro 2016 | 07h05

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), da FGV, subiu 0,54% em dezembro, superou a variação de dezembro de 2015 e de novembro de 2016, e acusou a maior alta mensal do semestre. É o primeiro entre os principais indicadores de preços a ser divulgado e registrou alta anual de 7,17%, superior à acumulada em 12 meses até o mês passado (7,12%). Mas caiu em relação a 2015 (10,54%) e não provoca maiores preocupações.

Metade da elevação do índice deste mês se deveu à alta de 17,53% do minério de ferro, cujos preços dependem do mercado global. Por isso o Índice de Matérias-Primas Brutas subiu 1,96% em dezembro e foi determinante da alta de 0,69% do Índice de Preços ao Produtor Amplo

(IPA), que pesa 60% na variação do IGP-M. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%, subiu 0,20% em dezembro, menos do que em novembro (0,26%), e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que pesa 10%, mostrou alta de 0,36%.

O economista Salomão Quadros, do Ibre/FGV, espera variações de preços no início de 2017 inferiores às de igual período deste ano. 

Em janeiro de 2016 o IGP-M subiu 1,14% e em fevereiro, 1,29%. Para 2017 Quadros projeta inflação 1,5 ponto porcentual inferior à de 2016. O principal fator de recuo será o clima favorável à agricultura. Esse é um ponto positivo para os consumidores de menor poder aquisitivo, que, proporcionalmente à renda, mais demandam itens alimentares. O IGP-M também é o indicador mais usado no reajuste de aluguéis, mas neste caso a recessão e a força do mercado bastaram para derrubar os preços em 2016.

A exemplo de outros indicadores de preços, a começar do IPCA, calculado pelo IBGE, o IGP-M mostra como recessão e juros altos limitam os reajustes. Entre os componentes do INCC, por exemplo, os preços do vergalhão caíram 2,26%, os do cimento cederam 6,02% e o aluguel de máquinas caiu 3,88% no ano. São sinais da crise do setor imobiliário. O item Habitação também teve alta bem inferior à média.

Avanços na política anti-inflacionária são essenciais para permitir queda de juros e retomada do ritmo da atividade.

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