Cotista de fundos do Cruzeiro do Sul decide sobre R$ 5 bi

Assembleias que vão definir situação de Fdics começaram na sexta-feira e terminam no próximo mês

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h06

Cotistas de cinco fundos de investimento em direitos creditórios (conhecidos pela sigla Fdic) que possuem ativos do banco Cruzeiro do Sul começaram a realizar assembleias para definir o futuro de cada um. Somados, os cinco Fdics - três abertos e dois fechados - têm patrimônio de cerca de R$ 5 bilhões. O primeiro encontro ocorreu sexta-feira e o último está agendado para o dia 9 de julho.

Os cotistas foram convocados pela Cruzeiro do Sul Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, responsável pela administração dos fundos. Há duas saídas possíveis: liquidação ou troca do administrador.

Segundo especialistas do mercado financeiro, a segunda hipótese é remota, porque o problema desses fundos não é a administração, mas o fato de que seus ativos são carteiras de crédito geradas pelo Cruzeiro do Sul. No caso de fundos de investimento, a função do administrador é basicamente burocrática.

O banco sofreu intervenção do Banco Central há 15 dias. Desde então, a gestão está sob a responsabilidade do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade criada e mantida pelas instituições financeiras, que funciona como espécie de seguradora para os depósitos dos clientes.

Sexta-feira, a primeira assembleia (do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios BCSUL Verax Consignado II) confirmou a aposta dos especialistas. Os investidores decidiram antecipar o pagamento das cotas, operação que estava inicialmente prevista para dezembro.

Na prática, os cotistas vão receber seu dinheiro conforme os pagamentos dos consignados entrarem no fundo. A decisão equivale a liquidá-lo. Os três fundos abertos têm, em média, 30 cotistas cada um.

Pessoas a par do assunto disseram ao Estado que os clientes desses Fdics não devem ter prejuízo. Em primeiro lugar, porque os fundos foram construídos de maneira que privilegia os investidores em detrimento do Cruzeiro do Sul, que também é cotista. Em segundo, porque instituições financeiras independentes foram contratadas para fazer a custódia dos produtos. Uma delas é o Deutsche Bank.

Por causa dessa chancela externa, a expectativa é de que os ativos que compõem os fundos sejam verdadeiros e seguros. Mas a certeza só virá após a auditoria contratada para fazer um pente fino no banco e nos fundos terminar o serviço, o que deve ocorrer em cerca de 45 dias. A PricewaterhouseCoopers foi contratada pelo FGC para o trabalho.

Comissão. O BC anunciou ontem a criação de uma Comissão de Inquérito para investigar o Cruzeiro do Sul. Foram escolhidos Clóvis Vidal Poleto como presidente da comissão; Augustin Daihyun Shim e Amadeu João Caparroz para os cargos de relator; e Alan Brito Canal e Maria Aparecida Pereira como secretários, todos servidores do Banco Central.

A comissão vai investigar as empresas Banco Cruzeiro do Sul S.A., Cruzeiro do Sul Holding Financeira S.A., Cruzeiro do Sul S.A., Corretora de Valores e Mercadorias, Cruzeiro do Sul S.A., DTVM e Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros. Foi dado prazo de 120 dias para a conclusão dos trabalhos da comissão. / COLABOROU FERNANDO NAKAGAWA

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