Cotistas do Boavista preocupados

Os cotistas de fundos de investimento do Boavista, que estão brigando na Justiça para recuperar o que perderam por conta da desvalorização cambial, estão preocupados com a negociação entre o Boavista e o Bradesco. O temor dos pequenos investidores é que o Bradesco defina, no acordo, que só ficará com a parte boa do Boavista, deixando para os antigos controladores do banco a disputa na Justiça."Acompanhamos com muita atenção, porque queremos nosso dinheiro de volta", diz Caiuby Nunes da Costa, presidente do Movimento dos Lesados pelo Banco Boavista. Segundo ele, só no Rio, estão na Justiça 250 cotistas, a maioria representados pelo advogado Jaime Soares, do escritório de Luiz Alfredo Taunay. Em outros Estados, mais 250 cotistas foram aos tribunais.Costa acredita que ao todo 3,8 mil cotistas de fundos do Boavista foram prejudicados em janeiro de 1999, porque não sabiam que investiam em fundos de alto risco. "Eles perderam cerca de R$ 70 milhões, mas só os que foram para a Justiça lutam para receber algo em torno de R$ 10 milhões", calcula. Na próxima semana, ele tentará reunir-se com procuradores para pedir mais agilidade ao caso.Nenhum dos cotistas que foi à Justiça conseguiu receber o dinheiro de volta, mas um dos casos mais adiantados é o do microempresário José Alberto Serrão e sua mulher Isabella. "Ganhamos uma ação em segunda instância por unanimidade", comemora Serrão. O Boavista recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Ele acredita que a venda do banco não irá emperrar o processo. "O Bradesco terá de levar os ativos e passivos", diz.A Assessoria de Imprensa do Boavista diz que não foram acertados os detalhes do acordo com o Bradesco e não teria sido definido quem ficará responsável pelas ações na Justiça.

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