Elise Amendola/AP
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Coty compra marcas de beleza da P&G por US$ 12,5 bi

A Coty, marca de cosméticos de origem francesa, fechou um acordo para comprar a unidade de beleza da Procter & Gamble, que inclui marcas como Koleston e Wella, em uma transação de US$ 12,5 bilhões. Com a aquisição das 43 marcas de cosméticos da P&G, a Coty vai se tornar uma das maiores companhias de beleza do mundo.

O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2015 | 02h03

A venda é parte de um esforço da P&G para se concentrar em um número menor de marcas e retomar o crescimento, afetado pelo tamanho inviável a que chegou seu portfólio de produtos. Em agosto do ano passado, a empresa comunicou o mercado que avaliava se desfazer de cerca de 100 marcas. Esse movimento começou em novembro, com a venda da fabricante de pilhas Duracell para a empresa do investidor Warren Buffet, por US$ 4,7 bilhões.

A unidade que concentra cosméticos, fragrâncias e produtos para cuidados com os cabelos estava no mercado desde o início do ano e chegou a ser avaliada por cinco companhias, como o grupo alemão Henkel, os fundos de private equity KKR, Clayton Dubilier & Rice e Warburg Pincus, além da própria Coty.

Essa é uma divisão que vem patinando no portfólio da P&G. No primeiro trimestre do ano, essa unidade foi a única que viu as vendas caírem, se forem desconsiderados os efeitos cambiais. A queda foi de 11%.

A decisão final sobre o negócio ainda não foi tomada, mas a própria P&G já informou que ele deve ser fechado por meio de uma operação chamada de Reverse Morris Trust (RMT). Com isso, a unidade de beleza da P&G será separada, originando uma nova empresa, que, por sua vez, vai se unir à Coty. Os papéis dessa nova companhia serão distribuídos aos acionistas da P&G. Eles ficarão 52% do negócio e a Coty, com 48%. O acordo deve ser finalizado no segundo semestre do ano que vem.

A empresa combinada terá receita anual de US$ 10 bilhões - o dobro do faturamento atual da Coty. Com um portfólio de mais de 60 marcas, a empresa de origem francesa tem produtos de apelo popular (Playboy e Adidas), fragrâncias assinadas por celebridades (como Beyoncé e Sarah Jessica Parker), itens de médio preço (Calvin Klein e Guess) e símbolos do mercado de luxo (como Balenciaga e Bottega Veneta). Sob o comando do presidente da Coty, Bart Becht, a nova companhia tem pretensões de expandir globalmente, especialmente para mercados como o do Brasil e do Japão. Esse é um plano antigo da empresa, que, no início de 2012,chegou a fazer uma oferta de US$ 10 bilhões pela Avon. O negócio, no entanto, não se concretizou.

Hoje, a Coty está presente no mercado brasileiro, mas de forma tímida. Em 2013, a empresa iniciou uma parceria com a Frajo, de Campinas (SP), com o objetivo de aumentar a distribuição de seus produtos no País. Controlada pelo grupo O Boticário, a Frajo está presente em mais de 8,5 mil pontos de venda no território nacional.

Antes disso, a Coty atuava no País apenas por meio de uma parceria com a empresa de cosméticos do Grupo Silvio Santos, a Jequiti, que distribui algumas das marcas mais populares por venda direta.

A parceria com a Jequiti no mercado porta a porta - que inclui as fragrâncias Playboy, Adidas, Lady Gaga e Madonna - teria sido o empurrão que faltava para a Coty decidir vir para o Brasil. O bom resultado de vendas evidenciou que o potencial de expansão local é forte.

Repercussão. A reação do mercado à notícia da aquisição não foi positiva. As ações da Coty caíram 4,7%, ontem, na bolsa de Nova York e as da P&G, 0,41%. No mês passado, a analista da Piper Jaffray, Steph Wissink, escreveu em seu relatório que as marcas de beleza da P&G não vinham apresentando um bom desempenho e que a Coty, se comprasse esse portfólio, teria de se esforçar muito para revitalizá-las. "Unir duas empresas com crescimento limitado não gera crescimento", afirmou. (Com agências internacionais).

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