Coutinho: apoio do BNDES vai para empresa competente

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje que a instituição vai "apoiar empresa nacional que têm competência". A declaração foi feita em resposta à questão sobre se o apoio da instituição à compra da Brasil Telecom pela Oi reflete uma política nacionalista. "Não há política nacionalista como objetivo porque o BNDES não faz e não fará operações que não tenham consistência empresarial", disse Coutinho.No entanto, ressaltou, "se empresas nacionais puderem competir com outras, não há nada de errado". Coutinho considera que pode haver benefícios em ter empresas nacionais no setor de tecnologia de informação. De acordo com ele, "muitos países defendem empresas nacionais em determinados setores", que, completou, geralmente são ligados a conhecimento e intensivos em inovação. "Há uma espécie de guerra fiscal global", afirmou.Coutinho foi enfático na necessidade de respeitar a competitividade e consistência empresarial para apoiar empresas nacionais e que o BNDES quer apoiar também empresas estrangeiras que desenvolvam projetos no Brasil. "Não se trata de ficar contra empresa estrangeira"."Esse é um tema que aparecerá com clareza na divulgação da política industrial no dia 12 de maio", afirmou. Segundo o presidente do BNDES, em políticas industriais do passado queria-se fabricar competitividade em condições não sustentáveis e agora se trata de dar um ambiente favorável ao investimento em um mundo globalizado e aberto. "É desejável que o Brasil tenha empresas fortes em ambiente aberto", declarou.Ele afirmou que no caso específico da Oi e da Brasil Telecom, "se não houvesse uma solução para essas empresas, as perspectivas não seriam boas", mas não detalhou. Disse ainda que não houve, por parte do BNDES, escolha dos acionistas que vão permanecer no controle da nova tele. "Os acionistas estavam lá. Alguns queriam sair e alguns queriam ficar", afirmou. "Se houve escolha, foi antes." Em 1998, houve suspeitas de manipulação na formação de grupos para o leilão das empresas derivadas da Telebrás.

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