Coutinho, do BNDES, prega ''medidas de defesa comercial''

Em evento na Fiesp, ele afirma que o País precisa proteger o valor agregado e evitar um movimento de desindustrialização

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2010 | 00h00

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que num contexto de guerra cambial internacional o País precisa redobrar a atenção para "evitar um movimento de desindustrialização".

Durante palestra na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ele disse que "não podemos jogar a toalha e aceitar o esvaziamento de cadeias produtivas, aceitar que uma explosão de importados, de componentes esvazie por dentro, especialmente na indústria de bens de capital, indústria mecânica, nossas cadeias industriais. É preciso proteger o valor agregado".

Coutinho destacou que "estão aparecendo indícios de importações crescendo de forma explosiva com indícios de concorrência desleal". Citou como exemplo alguns segmentos fabricantes de equipamentos referindo-se em especial ao ingresso no País de componentes industriais. "Isso requer medidas de defesa comercial típicas. Agora a iniciativa tem de partir do setor privado."

De acordo com o presidente do BNDES, as empresas prejudicadas pela concorrência desleal devem acionar mecanismos de defesa antidumping previstos pela Organização Mundial do Comércio (OMC). "Não podemos ser ingênuos. Temos de proteger minimamente a competitividade (das empresas) e as condições de emprego no Brasil", declarou após participar de evento sobre inovação produtiva.

Segundo ele, o Brasil não pode correr o risco de registrar déficits comerciais "tolos" de alguns setores produtivos, sem mencionar quais seriam esses setores.

De acordo com o diretor da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, a balança comercial da indústria do País deve apresentar déficit de US$ 59 bilhões em 2010, que subirá para US$ 80 bilhões no próximo ano.

Batalhas. Coutinho afirmou que o Brasil ainda tem "várias batalhas à frente" para melhorar a competitividade do setor produtivo industrial. "Precisamos ainda fazer muito para melhorar a qualidade da infraestrutura do País, para reduzir a taxa de juros, para evitar a apreciação cambial lesiva aos interesses de criação de empregos e da capacidade exportadora brasileira".

Segundo ele, o Brasil tem muitas "frentes de avanços a conquistar", embora não seja possível esquecer que, sem a competitividade do setor empresarial, as companhias nacionais não poderão ampliar a presença nos mercados internacionais e resistir ao ingresso agressivo de produtos importados. "É preciso um grande esforço de inovação".

Coutinho deu as declarações antes do lançamento do Núcleo de Inovação Paulista, em parceria com Sesi, Senai-SP, Sebrae-SP e Secretaria de Desenvolvimento do Estado. O objetivo do núcleo é aumentar a competitividade dos produtos brasileiros e conscientizar 30 mil empresas a investirem em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.