Coutinho: exportadores estão insatisfeitos com câmbio

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, admitiu hoje que os exportadores estão insatisfeitos com a perspectiva de apreciação do câmbio e com a lenta retomada da comercialização das vendas externas. Entretanto, ele lembrou que o volume de pedidos de financiamento na linha de pré-embarque, criada pelo BNDES após a crise para atender o setor de bens de capital (máquinas e equipamentos), já superou o orçamento.

MONICA CIARELLI, Agencia Estado

17 de setembro de 2009 | 14h12

Coutinho revelou que deve pedir ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, para flexibilizar o orçamento para que o BNDES possa atender esta demanda. "Vou pedir ao ministro Mantega para flexibilizar o orçamento, para que possamos continuar apoiando a exportação de bens de capital, que é um dos setores que foram mais atingidos pela crise", disse Coutinho, que participou hoje de Fórum Especial sobre desenvolvimento econômico, no BNDES. O presidente do banco de fomento conta que a linha de crédito já ultrapassou R$ 6 bilhões, e que existem mais R$ 1 bilhão em pedidos na carteira.

Crise

Coutinho disse que o Brasil já saiu da crise e que deve fechar o ano com um Produto Interno Bruto (PIB) positivo, "perto de 1%". Segundo ele, o País ultrapassou a crise rapidamente, em menos de um ano, em função das políticas de incentivo à economia adotadas pelo governo e pelo consumo das famílias, especialmente as de baixa renda. "Na verdade, foi a sociedade brasileira e especialmente as famílias de renda mais baixa que manifestaram confiança no País e permitiram que a crise fosse ultrapassada mais cedo", disse Coutinho. Ele lembrou que, no fim do ano passado, no auge da crise, havia previsões de que o PIB poderia cair 2% em 2009.

Luciano Coutinho acredita que o Brasil possa crescer 5% no ano que vem. Ele ressaltou que existem vários investimentos em andamento nos setores de energia, logística e citou como exemplo os projetos na área do pré-sal. Mas o executivo admitiu que ainda existem desafios pela frente, sendo que um deles é o desenvolvimento da indústria manufatureira. "Precisamos voltar a pensar o Brasil a longo prazo, porque ele é uma das economias que acumulou condições macroeconômicas estruturadas, que lhe permitem pensar no longo prazo e crescer", afirmou. Para Coutinho, a combinação de maiores investimentos e poupança poderá permitir ao Brasil crescer a uma taxa de 5,0%, em média, ao longo dos próximos anos.

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