Coutinho: governo mudou paradigma de política econômica

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que o governo mudou o paradigma da gestão da política econômica, com o objetivo de estimular investimentos, manter a geração de empregos em alto nível e dar mais competitividade às empresas comerciais. "Mudamos o paradigma e a macroeconomia é mais eficiente para o setor produtivo", afirmou. "A Selic caiu 500 pontos base e o BC vai manter a inflação nos trilhos", completou, referindo-se à meta de 4,5% ao ano perseguida pela autoridade monetária.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

21 de setembro de 2012 | 20h17

Em palestra no encerramento do 23º Congresso Nacional de Executivos de Finanças, que ocorreu em São Paulo, ele afirmou que o Poder Executivo sabe muito bem que deve manter o bom uso da gestão das contas públicas e da gestão da taxa básica de juros, com foco no controle da inflação. "O governo tem compreensão da consistência dos instrumentos fiscais e monetários e tem também consciência da importância de uma inflação sob controle", afirmou.

Para o presidente do BNDES, a inadimplência caiu e isso mostra que há grande solidez regulatória do sistema financeiro no Brasil. "O sistema financeiro está preparado para buscar mais eficiência, em função da queda do juro", comentou. Coutinho disse ainda que é impossível manter spreads altos numa economia com juros básicos mais baixos. Assim, avaliou ele, "o sistema financeiro vai poder financiar a prazos mais longos".

Sobre o ambiente externo, Coutinho avalia que o crescimento dos Estados Unidos já é fraco e que há dúvidas para o próximo ano. "Mesmo que Barack Obama se reeleja, existe um risco de maior polarização política, impedindo a tomada de decisões de política fiscal para complementar a monetária muito frouxa."

Coutinho também disse que o Banco Central Europeu injetará mais recursos no sistema, mas que "o cenário não é tranquilo na Europa". Segundo ele, o cenário internacional ainda tem incertezas "nada desprezíveis".

Em relação à China, Coutinho afirmou que o "cenário de desaceleração talvez tenha sido mais forte do que o esperado". "A China anunciou um conjunto de novos investimentos e não há dúvida de que o governo chinês tem dificuldades para relançar a economia", acrescentou.

Coutinho também disse que a "economia brasileira tem condições de integrar o bloco que ajudará economia mundial. "No Brasil, o terceiro trimestre aposta para uma expansão acima da média mundial. Em 2013, o País pode contribuir bem para o crescimento da economia mundial", projetou.

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