Coutinho: há folga de capacidade instalada na indústria

Por conta disso presidente do BNDES avalia que não há risco de pressões inflacionárias

Fabio Grander e Adriana Fernandes, da Agência Estado, Agencia Estado

10 de fevereiro de 2010 | 17h20

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse esta tarde que existe bastante folga no uso da capacidade instalada na indústria e que não há risco de pressões inflacionárias decorrentes disso. Hoje, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou dados mostrando que o uso da capacidade industrial atingiu 81,7% em dezembro de 2009, ante 81,3% em novembro e 79,4% em dezembro de 2008, o que ajudou a pressionar o mercado de juros.

"A capacidade está em um nível muito abaixo. Ainda temos muito folga de capacidade. E o mais importante é que o investimento está respondendo bem", disse Coutinho, ao deixar o Ministério da Fazenda, onde participou de reunião com os ministros Guido Mantega e Paulo Bernardo (Planejamento). Ele lembrou ainda que o índice de utilização varia entre os diversos setores e que alguns têm mais flexibilidade para lidar com a maior taxa de utilização sem pressionar os preços. "Não há risco de inflação. Temos folga de capacidade de oferta. Temos tranquilidade para trabalhar", afirmou.

Apesar do discurso de que a indústria tem espaço para crescer, o presidente do BNDES defendeu que as empresas antecipem investimentos para ajudar a controlar a trajetória de subida do uso da capacidade industrial. "Isso é importante para manter a inflação sob controle", disse Coutinho. Segundo ele, os investimentos seguem em aceleração, tanto que o Finame - linha do BNDES para aquisição de máquinas e equipamentos - aumentou seu volume de empréstimos, que atingiu em janeiro cerca de R$ 6 bilhões. "A resposta do investimento tem sido muito boa", disse.

Sobre as apostas do mercado de que os juros vão subir em março ou abril, Coutinho afirmou: "O mercado se alimenta de expectativas e tem muita gente que alimenta as expectativas do mercado, para outros fins. Olhando os números, estamos absolutamente tranquilos".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.