Coutinho reforça que alta dos juros sobrecarrega BNDES

Presidente do banco diz que não vê motivos para aumento da taxa de longo prazo, pois penalizaria 'fins nobres'

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

09 de junho de 2008 | 10h06

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, destacou nesta segunda-feira, 9, que a alta da taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto porcentual para 12,25% ao ano, promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada, sobrecarregará ainda mais o banco de fomento e não vê motivos para que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) aumente, já que esta é a fonte mais barata de recursos para os investimentos.   Veja também: Confira a evolução da Selic desde o início do governo Lula"Não creio ser necessário subir a TJLP, porque vai penalizar o que há de mais precioso para o Brasil que são três fins nobres", disse, citando como prioridades a formação de nova capacidade produtiva da indústria, no intuito de evitar escassez de produtos; a inovação tecnológica, e o investimento em infra-estrutura, em especial, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas áreas de logística e energia.Coutinho, que visitou hoje os estúdios da Rede Eldorado de Rádio, em São Paulo, ressaltou que os investimentos das empresas brasileiras têm crescido a uma escala de 30% ao ano. "Vejo que os investimentos se mantêm muito firmes e isso tem sobrecarregado a demanda sobre o BNDES", disse. "Se não criarmos oferta de uma forma consistente, pode faltar produto lá na frente e a inflação pode ser mais pressionada, por isso o papel do BNDES tem de ser cumprido neste momento", afirmou.InflaçãoO presidente do BNDES evitou uma avaliação sobre a alta do juro básico no País, que subiu pela segunda vez consecutiva este mês. "Não me compete opinar sobre política monetária, que compete ao Banco Central." Mesmo assim, ele atribuiu a forte pressão inflacionária a três fontes. A primeira, é a do setor de petróleo, a segunda, da alta dos preços de metais e minerais por causa do aquecimento da atividade na China, e a terceira, dos alimentos. "Isso refletiu sobre os indicadores do atacado do mundo inteiro, não só do Brasil", comparou.Ele salientou ainda que a transmissão da alta do atacado para o varejo é um percurso longo e que "isso toma tempo". "O trabalho do Banco Central é o de evitar que pressões no atacado desorganizem as expectativas. As expectativas para 2009 continuam próximas à meta, portanto o BC tem conseguido manter o controle", disse, ressaltando que a estabilidade das expectativas é algo importante porque mostra confiança na tomada de investimento. O centro da meta da inflação para 2008 e 2009 é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.   Nova política de desenvolvimento   Coutinho ressaltou que a nova política de desenvolvimento produtivo possui três grandes setores estratégicos, os quais o Brasil já possui liderança, que são o de commodities (citando produtos minerais, celulose e agronegócios), manufatura e aeronáutica. "O Brasil tem capacidade de oferecer esses produtos em escala e a preços imbatíveis e isso já viabilizou empresas importantes, exportadores naturais. É importante que evoluam, agora, para serem lideres globais", argumentou.   O presidente do BNDES avaliou como "interessante" a experiência pró-exportadora, que desenvolveu a competitividade mundial. "Nós ficamos presos à substituição das importações. Neste momento, esta contradição foi superada e o sucesso exportador no cenário internacional é um bom guia para apoiar experiências com grau reduzido de risco", disse.   Coutinho rejeitou, porém, a crítica de que o banco apóia apenas algumas escolhidas, afirmando que o que interessa é apoiar lideranças já reveladas por suas competências. "Não é verdade. O banco financia um leque muito extenso de empresas, como a pequena, que utiliza o cartão BNDES, uma inovação bem sucedida, que permite a 150 mil companhias comprarem insumos, com um giro de até R$ 250 mil, de fora conveniente", alegou.   Além disso, ele enfatizou que o BNDES atua indiretamente no mercado no caso de empresas de médio porte e que essas operações representam metade do trabalho do banco.   Mercado internacional   Coutinho disse ainda que o banco tem buscado "se virar" para obter funding para atender o crescimento por financiamentos para investimentos produtivos. "Estamos indo a mercado. Fizemos uma captação há duas semanas, de US$ 1 bilhão, e talvez freqüentemos o mercado internacional no segundo semestre e no ano que vem", disse, sem dar mais detalhes.

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