Coutinho: setor de bens de capital requer nossa atenção

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou hoje que o governo estuda a concessão de incentivos fiscais para o setor de bens de capital (máquinas e equipamentos). Segundo ele, foi um dos primeiros setores a sofrer os efeitos da crise e será um dos últimos a sair dela. "Por isso, ele merece ainda a atenção de nossa parte. Há um conjunto de medidas que nós estamos estudando, e o setor de bens de capital é sempre estratégico para a economia, porque transmite progresso tecnológico", disse Coutinho, ao chegar ao Ministério da Fazenda para participar de reunião do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC).

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

17 de junho de 2009 | 16h37

"Um tratamento tributário mais favorável acho que é justo", afirmou. "Estamos discutindo isso com o Ministério da Fazenda." Coutinho acrescentou que o principal fator de incentivo ao investimento é o nível de ociosidade na indústria, que, segundo ele, ainda estava alto, na média, no primeiro trimestre. Segundo o presidente do BNDES, a crise fez com que os investimentos fossem adiados, mas já está havendo uma recuperação do uso da capacidade instalada. "A ociosidade está diminuindo, mas, pelos nossos cálculos, é no último trimestre deste ano que ela voltará ao nível mais fortemente estimulante para o investimento", avaliou Coutinho. Ele disse que a média da capacidade instalada na indústria esconde uma variação muito grande e que há setores onde a ociosidade é alta, e outros que estão com o nível de ocupação mais baixo. Neste último caso, segundo Coutinho, os investimentos já estão voltando.

Ele disse que as consultas de empresas ao BNDES sobre linhas de financiamento, depois de maio, voltaram a crescer. "Nós estamos com a expectativa de um aumento de decisões de investimentos a partir dos próximos meses e, mais fortemente, no segundo semestre." O presidente do BNDES informou que as consultas são principalmente de setores voltados para o mercado interno que produzem bens não duráveis, como itens da cesta básica e gêneros de primeira necessidade.

Segundo Coutinho, também os investimentos no setor automotivo caíram menos do que o inicialmente esperado e já há novos projetos. "Já há um certo início de recuperação do processo de investimento do setor privado, mas o setor de bens de capital é o último a se recuperar e ainda está num processo de fundo de vale." O presidente do BNDES observou que existe uma defasagem entre a decisão das empresas de investir, a liberação do financiamento, o desembolso e a compra das máquinas e equipamentos.

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