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Covid-19 inseriu novos elementos na agenda das empresas

Consumidor tem exigido atuação maior das empresas nas áreas ambiental e social, dizem especialistas

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2020 | 19h42

A pandemia do novo coronavírus mudou a agenda das empresas no mundo todo e inseriu nas organizações a necessidade de maior responsabilidade cívica, seja nos aspectos sociais ou ambientais. Segundo especialistas que participaram ontem do Empresas Mais, premiação promovida pelo Estadão, ao mesmo tempo em que o setor privado tem se articulado e promovido as mudanças necessárias para atravessar a pandemia, o poder público não está conseguindo adotar medidas para maior segurança à sociedade.

Na avaliação deles, com a expectativa de fim da pandemia, velhos desafios voltarão ao centro das atenções. No mundo corporativo, a necessidade de inovação, a agenda ESG (ambiental, de sustentabilidade e de governança, na sigla em inglês) e os legados do covid-19 continuarão em pauta. No mundo político, espera-se maior ação do governo, em torno das reformas estruturantes. 

Para a economista Zeina Latif, 2021 tem muito a ver com o que o País plantou ao longo de 2020. Há uma grande preocupação com a falta de planejamento do governo para a vacinação em massa da população que traz uma série de incertezas sobre a capacidade de voltar a normalidade no ano que vem. E isso pode atrapalhar a vida das empresas, sobretudo do setor de serviços que tem um peso grande no PIB (cerca de 70%). 

Para Zeina, o ponto mais positivo de 2020 foi a reação do setor produtivo, que conseguiu transformar temas do futuro em medidas de curto prazo. “O mundo está mais complexo e o consumidor mais exigente. Agora ele olha um leque de fatores que impactam sua decisão de consumo. A pandemia adicionou mais elementos nesse aspecto para as empresas.”

Nesse contexto, a agenda ESG – praticas ambientais, sociais e de governança – ganhou espaço e potencial dentro do planejamento corporativo. “Antigamente, se dizia que o ESG era um investimento de nicho, mas começamos a perceber que as empresas que não estiverem aderentes não sobreviverão. Agora se uma necessidade”, disse Ana Buchaim, diretora da B3.

Para as startups, essa preocupação pode ser uma oportunidade. “Neste ano, temos 150 cleantechs (empresas ligadas a tecnologias de baixo impacto ambiental) no Brasil, e espera-se que no mundo, em 2022, elas movimentem US$ 2,5 trilhões”, afirmou Camila Farani, presidente da G2Capital. Segundo ela, o ESG é ainda mais importante para as empresas ligadas à inovação, que buscam atender a demandas que passam despercebidas pela “velha economia”.

O professor da Escola de Administração Pública e de Empresas da FGV, Marco Tulio Zanini, também vê mudanças significativas nas atribuições das empresas desde o início da pandemia. Mas ele entende que é preciso ir além e apostar nas pesquisas e desenvolvimento de tecnologias. “É lamentável que o País não tenha acordado para a tecnologia de ponta, como ocorreu com Japão e Alemanha.”

Digitalização

Outro ponto discutido no evento foi o efeito da digitalização no mercado de trabalho. Para Yuri Lima, coordenador do Laboratório do Futuro (Coppe/UFRJ) e sócio-fundador da LABORe, não podemos pensar que qualquer inovação será adotada aqui da mesma forma que em outros países. “Nem toda automação gera desemprego, mas gera deslocamento de trabalhadores.”

O governo tem papel fundamental na requalificação dos trabalhadores, mas no Brasil, a iniciativa privada deve ganhar importância na discussão. "As empresas terão responsabilidade, porque já vimos que o governo não tem a capacidade", disse Ana, da B3.

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