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CPFL arremata a transmissora de energia gaúcha CEEE-T por R$ 2,6 bi

Proposta teve ágio de 57,13% em relação ao pedido inicial, mas ainda ficou abaixo do esperado pelo governo do Rio Grande do Sul

Wilian Miron e Leandro Tavares, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2021 | 12h42

A CPFL Energia arrematou a transmissora de energia gaúcha CEEE-T, após oferecer uma proposta de R$ 2,670 bilhões pelo ativo, um ágio de 57,13% em relação ao pedido inicial de R$ 1,699 bilhão. Essa é a segunda privatização feita pela gestão Eduardo Leite (PSDB) à frente do governo do Rio Grande do Sul

A abertura de envelopes, na manhã esta sexta-feira, 16, na sede da B3, em São Paulo, contou com ofertas das empresas Isa Cteep, CL RJ 004, MEZ Energia, Companhia Técnica de Comercialização de Energia e Infraestrutura em Energia Brasil, confirmando o prognóstico de forte competição pelo ativo, que é considerado a joia da coroa entre as estatais gaúchas. O valor final da operação, porém, ficou abaixo dos R$ 3 bilhões esperados pela gestão Leite.

Além da CPFL, outras companhias de grande porte eram cotadas para participar da disputa: ISA Cteep, Taesa, Alupar, CPFL e Eletrosul, além dos fundos de investimentos canadenses Canada Pension Plan Investment Board e o Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ).

Contudo, o apetite de algumas das participantes foi comprometido pela revisão da Receita Anual Permitida (RAP), pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na última terça-feira. Segundo executivos de uma das potenciais compradoras, ela aconteceu um dia após a entrega de envelopes e reduziu em R$ 200 milhões a previsão de receita da CEEE-T, modificando as avaliações feitas para o leilão. Exemplo disso foi a MEZ Energia, que entregou proposta de R$ 2,035 bilhões, mas não fez lances na fase de propostas a viva-voz.

Com a aquisição, a CPFL passa a deter 66,08% do capital social da CEEE-T, que é responsável pela operação e manutenção de mais de 6 mil quilômetros de linhas de transmissão, sendo mais de 5,9 mil quilômetros próprios. A empresa tem também aproximadamente 15.700 estruturas de transmissão, com um total de 69 subestações que somam potência instalada própria de 10.513 MVA, cobrindo todo o Estado do Rio Grande do Sul.

A transmissora é considerada estratégica porque atende a uma região onde é realizado o intercâmbio de energia com a Argentina e o Uruguai, operação essencial para a segurança energética do País, especialmente em períodos como o atual, de escassez hídrica. 

Com a aquisição, a CPFL reforça sua presença no Sul do País, onde já atua em 77% do território do Rio Grande do Sul (381 municípios) e atende 2,988 milhões de unidades consumidoras por meio da distribuidora RGE Sul.

No segmento de geração, tem participação nas usinas hidrelétricas Foz do Chapecó, Enercan (Campos Novos), Barra Grande e Ceran (Cia. Energética Rio das Antas), além de operar pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e parques eólicos. 

O Grupo CPFL e era considerado favorito para levar a área de distribuição da CEEE no leilão realizado em março, mas resolveu não participar do certame, e a Equatorial Energia arrematou a empresa pelo lance simbólico de R$ 100 mil, além de assumir passivos da distribuidora.

Política

A privatização de mais uma empresa tem significado político relevante para o governador Eduardo Leite, que é cotado para ser o candidato do PSDB na disputa pela Presidência da República no próximo ano.

O sucesso na agenda de privatizações e uma gestão marcada por ações liberais têm agradado a uma parcela relevante do empresariado brasileiro, que enxerga nele potencial para ser uma terceira via, capaz de romper a esperada polarização entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial de 2022. Os defensores de sua candidatura tentam retratar o político de 36 anos como um jovem gestor.

Com apoio da maioria dos deputados na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Leite tem colocado em prática um ambicioso projeto de privatizações e saneamento das contas públicas do Estado, que é historicamente marcado por disputas políticas.

A agenda de privatizações do governador inclui, ainda, a venda da distribuidora de gás Sulgás por R$ 928 milhões, que pode acontecer em setembro, da área de geração de energia da CEEE, e da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), além das concessões de parques e áreas de conservação do Estado.  

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