CPFL e Equatorial compram Grupo Rede

Oito distribuidoras do grupo, que está sob intervenção do governo federal, foram compradas por R$ 1

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h04

A Equatorial Energia e a CPFL Energia anunciaram ontem a compra do grupo Rede Energia, do empresário Jorge Queiroz de Moraes Junior, por R$ 1. De acordo com comunicado, o negócio ainda depende de algumas condicionantes, como a aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, além da aprovação do plano de recuperação judicial.

De acordo com comunicado, quem vai comprar o controle da Rede Energia será a Equatorial. A CPFL vai entrar, em conjunto com a Equatorial, com os investimentos necessários para a recuperação operacional e financeira das empresas, incluindo as concessionárias sob intervenção da Aneel. O acordo fechado ontem inclui todos os ativos da Rede Energia, como a comercializadora e a holding, que entrou em recuperação judicial. Isso significa que os aportes que terão de ser feitos pelos investidores serão maiores que os R$ 773 milhões.

Ainda não está definido se, ao final da reestruturação do grupo, a CPFL comprará participação na empresa ou se ficará com alguns ativos. A partir de agora, as empresas têm até 60 dias para apresentar aos credores o plano de recuperação. A partir daí, os credores terão até 120 dias para definir se aceitam ou não a proposta.

Segundo uma fonte do setor, a operação anunciada ontem faz todo o sentido pelas sinergias que os ativos de distribuição do grupo tem com as empresas da CPFL e Equatorial. O grupo Rede tem operações nos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Tocantins e Minas Gerais. Essas concessões são contíguas aos ativos da CPFL, que tem concessionárias no Estado de São Paulo, e da Equatorial, que opera distribuidoras no Maranhão e no Pará.

Intervenção. Desde 31 de outubro, as oito distribuidoras de eletricidade controladas pelo grupo Rede Energia estão sob intervenção da Aneel. Nos últimos anos, o grupo vinha enfrentando dificuldades para obter financiamentos no mercado para honrar seus compromissos. A situação chegou num ponto em que a empresa não conseguia mais pagar nem os encargos cobrados na tarifa de energia.

Com a inadimplência, o grupo ficou impedido de aplicar reajustes nas tarifas da maioria das distribuidoras. Com dívidas elevadas e sem crédito no mercado, os investimentos na manutenção e expansão da rede foram atingidos. Os índices de qualidade, que medem o tempo e a frequência que os consumidores ficam sem luz, pioraram de forma expressiva.

Em fevereiro, sem capacidade financeira, a distribuidora do Pará (Celpa), uma das mais importantes do grupo, entrou com pedido de recuperação judicial. Foi nesse momento que acendeu o sinal amarelo na Aneel, que começou a monitorar de perto a situação da empresa. Alguns meses depois, a Equatorial fez uma proposta pela distribuidora e acabou fechando negócio.

Vários outros interessados apareceram para comprar o resto da empresa. Entre eles apareceram Cemig, J&F e um fundo americano. /RENÉE PEREIRA e WELLINGTON BAHNEMANN

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