CPFL pode ser a única a abrir o capital

Votorantim Cimentos teria desistido da operação por causa do cenário macroeconômico, caminho que pode ser seguido pela aérea Azul

ALINE BRONZATI , GABRIELA FORLIN , O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2013 | 02h09

Em meio à deterioração do cenário macroeconômico brasileiro, que tem feito as candidatas à abertura de capital reavaliarem suas estratégias, a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da CPFL Renováveis pode ser a única a sair do papel.

Isso porque a operação conta com um instrumento de "garantia firme de colocação" que, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, será dada pelo banco BTG Pactual. Ou seja, caso o cenário desfavorável pese e a demanda dos investidores não seja suficiente, a garantia pode ser exercida. "Faça chuva, faça sol, a oferta da CPFL Renováveis tem garantia firme de colocação e, por isso, deve sair", avalia uma fonte de mercado.

Na contramão da CPFL Renováveis, que tenta abrir capital pela segunda vez, a Votorantim Cimentos optou por suspender, por ora, seus planos. A justificativa, conforme fontes, é que a operação foi adiada em função das condições de mercado. Além do cenário econômico, o fato de o grupo Votorantim estar enfrentando problemas societários também reduziu o apetite dos investidores.

Oficialmente, a Votorantim Cimentos ainda não se pronunciou sobre a decisão. Hoje, terminaria o prazo de reserva junto aos investidores, sendo que o término das apresentações e da precificação das ações estava previsto para amanhã. Os coordenadores da oferta são BTG, Credit Suisse, Itaú BBA, JPMorgan e Morgan Stanley.

Incertezas. Há consenso entre especialistas que os fatores domésticos, como desvalorização do real, inflação elevada, bolsa em queda, entre outros, tendem a impactar as demais ofertas que estavam na fila. "A decisão das empresas tem relação apenas com o momento atual que, de algumas semanas para cá, passou a ser de pessimismo e instabilidade. A Bolsa veio derretendo e isso afugenta investidores", diz Flávia Turci, sócia-fundadora da Turci Advogados, especialista em mercado de capitais.

Segundo ela, não é surpresa que os negócios venham andando para trás. Enquanto o mercado não se acalmar, as ofertas não devem decolar. "O mercado é quem dita (se as operações seguem adiante), não a decisão da Votorantim", afirma Flávia.

Neste contexto, o mercado já comenta a possibilidade de a terceira maior companhia aérea do País, a Azul Linhas Aéreas, também recuar na tentativa de captar R$ 1 bilhão em um IPO. O fechamento das janelas, citado por especialistas, pode impactar também as ofertas subsequentes.

Atualmente, estão previstas as ofertas da Klabin, Via Varejo e MPX. O diretor geral da Klabin, Fabio Schvartsman, já disse, em teleconferência com analistas, que a operação não será realizada se o mercado não apresentar as condições necessárias. Há ainda a operação da Tupy, companhia do setor de fundição, que também pode não sair.

Caso sejam confirmadas as suspensões do IPO da Votorantim Cimentos e da Azul, subirá para quatro o número de candidatas que recuaram na tentativa de abrir capital em 2013. Antes, Vix Logística e Cedae, empresa estatal de saneamento do Rio, já tinham cancelado ofertas.

Em comunicado, a Azul disse que mantém a intenção de abrir seu capital e que acompanhando de perto o mercado para determinar o melhor momento, "o qual ainda não está definido". Procurada, CPFL Renováveis não retornou até o fechamento da edição. / COLABORARAM WELLINGTON BAHNEMANN, LUCIANA COLLET E ANDRÉ MAGNABOSCO

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