CPFL quer prorrogação de concessão

Grupo condicionou participação em leilão da Cesp à renovação das licenças de hidrelétricas da companhia

Alaor Barbosa, RIO, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2008 | 00h00

O grupo CPFL confirmou o interesse no leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), previsto para o dia 26, mas condicionou sua participação à instituição de um programa de renovação das concessões das usinas hidrelétricas da empresa, que vencem em 2015. Em apresentação ontem, na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), o presidente da empresa, Wilson Ferreira Júnior, disse que estava providenciando o depósito das garantias para a disputa."É um ativo que olhamos com todo carinho, não só porque queremos crescer em geração de energia elétrica, mas também porque as usinas estão em São Paulo, onde já atuamos na distribuição e comercialização." Ferreira reiterou que a participação ficaria vinculada à renovação das concessões. "Essas hidrelétricas (que dependem de renovação da concessão) representam dois terços da potência total. Se não houver garantias de renovação, não vamos participar. Vocês (analistas) não me perdoariam."O executivo acredita que há fortes argumentos a favor da renovação das concessões, citando o ocorrido nos leilões das usinas adquiridas pela AES Tietê, Duke Energy (Paranapanema) e Tractebel (Gerasul). "Quando houve a privatização, as concessões das usinas vendidas foram renovadas automaticamente, como está previsto na Lei 9.074. Acreditamos que a situação atual é a mesma."SÓCIOSFerreira afirmou que o grupo só participará da compra da Cesp em conjunto com outras empresas. Ele disse que a Neoenergia, que também está no processo de licitação, tem sócios comuns da CPFL, que são os fundos de pensão Previ e Petros. "Não faz sentido você ficar disputando de forma isolada um projeto desse porte tendo acionistas em comum."Além disso, o próprio porte da operação vai exigir isso. Ele estima que o valor final da operação vai superar R$ 18 bilhões, já que o vencedor do leilão terá de estender os direitos para os minoritários, por causa do sistema de tag along. "Se você considerar que o valor de mercado da CPFL, a maior empresa privada de energia no País, está em torno de R$ 17 bilhões, você percebe que não dá para disputar de forma isolada."O executivo ressaltou que o único senão para participar do leilão é a questão regulatória. Ele não tem dúvidas quanto à qualidade dos ativos. "São usinas excelentes, instaladas em locais de grande consumo e que sempre foram bem cuidadas." Segundo ele, quem entra nas usinas da Cesp percebe isso. "Basta citar a limpeza das usinas. Parece um hospital."

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