CPFL Renováveis levanta cerca de R$ 1 bi em IPO

Com demanda baixa, preço das ações ficou no menor valor previsto inicialmente; empresa estreia amanhã na Bolsa

GABRIELA FORLIN , O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 02h50

Depois de uma tentativa frustrada em outubro do ano passado, a CPFL Renováveis conseguiu enfim concretizar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Ontem, a empresa concluiu a captação, que pode chegar a R$ 1,03 bilhão se todos os lotes forem exercidos. Confirmando as expectativas do mercado, o preço dos papéis ficou em R$ 12,51 - o valor mais baixo da faixa de preços proposta inicialmente, que ia até R$ 15,01.

A empresa deve estrear na BM&FBovespa amanhã, e as ações serão negociadas no Novo Mercado, o nível mais alto de governança corporativa da Bolsa.

O IPO contou com uma ordem de compra de R$ 400 milhões do fundo de pensão Previ e com uma garantia firme de colocação do BTG Pactual, que poderia chegar aos R$ 500 milhões, com o papel precificado a R$ 12,51. Em função do cenário macroeconômico nacional e internacional, volatilidade dos mercados e a falta de apetite dos investidores brasileiros e estrangeiros pela Bolsa, já era esperado que a operação saísse por conta das garantias oferecidas.

Baixa demanda. "Não estamos vendo um apetite muito grande. O preço justo seria em torno de R$ 14,85", diz uma fonte do mercado. "É uma questão de demanda, e não de fundamentos, pois o negócio tem potencial. É uma empresa que está num segmento que tem como característica gerar bons dividendos, e é uma boa oportunidade de longo prazo", avalia.

Para analistas do setor, dificilmente a operação iria até o final, neste momento, se não fossem as garantias. Ainda assim, eles acreditam que o lote suplementar poderá até ser exercido, justamente porque o BTG deve ficar com mais da metade do lote principal para aproveitar a oportunidade.

"A oferta já perdeu a característica de IPO, pode ser chamada de private placement (emissão privada)", diz outra fonte. Neste sentido, Marcello Klug, especialista em mercado de capitais, da Salusse Marangoni Advogados, diz que os papéis da empresa podem vir a enfrentar problemas de liquidez, visto que estarão nas mãos de poucos investidores. "Quando há concentração muito grande de ações em um fundo ou investidor, isso pode abalar a liquidez dos papéis. Não basta ter um IPO bem-sucedido, é necessário ter uma vida como companhia aberta bem-sucedida também."

Operação. Os coordenadores da oferta foram BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America Merrill Lynch, Morgan Stanley, Credit Suisse e BB Investimentos. Os acionistas vendedores da oferta foram Pátria Energia Fundo de Investimento em Participações, Pátria Energia Renovável Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura, Secor, LLC, Fundo de Investimento em Participações Multisetorial Plus, Fundo de Investimento em Participações Brasil Energia e DEG.

A companhia já havia tentado abrir capital, mas, em outubro do ano passado, desistiu do IPO devido às incertezas criadas pelo cenário econômico externo e pela Medida Provisória 579 - que trata da renovação de concessões no setor elétrico. Na época, a empresa cogitava captar cerca de R$ 1,5 bilhão.

Foram registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 38.768.984 ações primárias e 43.964.828 secundárias, equivalentes aos lotes principal e suplementar. Caso o lote suplementar não seja exercido em até 30 dias, a oferta pode ser reduzida em R$ 132 milhões.

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