Paulo Whitaker|Reuters
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CPI do Carf aprova convocação de Joseph Safra e lobistas acusados de comprar MPs no governo Lula

Empresário é acusado de pagar propina a servidores da Receita para influenciar julgamentos no órgão da Fazenda; já os outros convocados são suspeitos de fazer lobby para aprovar medidas ligadas a montadoras

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2016 | 14h44
Atualizado 26 de abril de 2016 | 14h44

BRASÍLIA - A CPI do Carf da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira a convocação do empresário Joseph Yacoub Safra, acionista majoritário do Banco Safra. A convocação, proposta pelo deputado Altineu Cortês (PMDB-RJ), foi aprovada por 12 votos a dois, após muita discussão entre os integrantes do colegiado. Houve ainda duas abstenções.

Joseph Safra foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) e já é investigado pela Justiça Federal sob a suspeita de envolvimento no esquema de pagamento de propina, no valor de R$ 15,3 milhões, para influenciar julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda que analisa recursos de cobranças de impostos feitas pela Receita Federal. 

O esquema é investigado pela Operação Zelotes, deflagrada em março do ano passado pelo MPF, Polícia Federal, Receita Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda. A operação também apura suposta compra de medidas provisórias (MPs) durante o governo Lula para beneficiar o setor automotivo, caso revelado pelo Estadão. Ainda não há data prevista para a oitiva de Safra.

A JS Administração de Recursos esclarece, em nota, que as suspeitas levantadas pelo Ministério Público são infundadas e que nenhum representante do grupo ofereceu vantagem para qualquer funcionário público. A empresa diz ainda que não recebeu qualquer tipo de benefício no Carf. "O Sr. Joseph Safra não exerce nenhum cargo executivo ou integra a diretoria da JS Administração de Recursos ou do Banco Safra , assim como de qualquer outra empresa pertencente ao grupo", diz a nota.

Deputados da oposição se posicionaram contra a convocação de Safra. "Ele não é presidente do conselho, é acionista do banco. Para que vamos convocar o acionista? Defendo chamar funcionário do banco, alguém diretamente ligado à administração", questionou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). 

O deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), por sua vez, argumentou que a convocação era dispensável, porque o funcionário do banco Safra João Inácio Puga já tinha tido sua convocação aprovada pela CPI. "Quem tem conhecimento do assunto é diretor do banco e não o acionista", afirmou o parlamentar. 

Lobistas. Na sessão de hoje, a CPI do Carf da Câmara também aprovou a convocação dos lobistas Cristina Mautoni e Mauro Marcondes Machado, sócios da Marcondes e Mautoni. Eles são suspeitos de ter feito lobby junto ao governo Lula para aprovar MPs que beneficiaram montadoras. 

 

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