Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

CPI do Carf aprova convocação de presidentes da Anfavea, Ford e Mitsubishi

Justificativa é que empresas teriam participado do esquema de corrupção no conselho da Receita, investigado na Operação Zelotes

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2015 | 13h24

Atualizado às 18h50 para correção de informações

BRASÍLIA - A CPI que apura denúncias de irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) aprovou nesta terça-feira a convocação de uma série de empresários do ramo automobilístico, do sistema bancário e da área da comunicação. Entre os convocados para prestar esclarecimentos estão os presidentes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), da Ford e da Mitsubishi. Representantes do Banco Santander e do grupo RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, também foram chamados a depor na comissão. Ao todo, 13 requerimentos foram aprovados.

A justificativa para chamar Luiz Moan Yabiku Junior, da Anfavea, e os gestores da Ford e da Mitsubishi é que essas empresas teriam participado do esquema de corrupção investigado na Operação Zelotes.

O vice-presidente do Santander, Marcos Madureira, e o diretor executivo da RBS, Eduardo Sirotsky, também foram convocados a dar explicações. Segundo relatórios da Polícia Federal, as duas empresas também teriam participado do esquema. Foram convocados ainda quatro ex-conselheiros e o ex-presidente do órgão Edson Pereira Rodrigues. Lutero Fernandes do Nascimento, assessor direto de Otacílio Dantas Cartaxo, que também presidiu o Carf, também foi chamado.

Última instância administrativa a que os contribuintes podem recorrer contra decisões da Receita, o Carf teve suas atividades interrompidas em março, por causa das investigações da Polícia Federal que descobriu a existência, no órgão, de uma articulação criminosa para anular ou reduzir multas aplicadas a empresas.

A Operação Zelotes descobriu fraudes bilionárias em favor de grandes empresas. Nas apurações iniciais, a polícia identificou perdas de cerca de R$ 6 bilhões para a Receita Federal. O esquema de propinas e de tráfico de influência entre conselheiros do Carf pode ter causado prejuízos de mais de R$ 19 bilhões.

Outro lado. Em resposta à aprovação nesta terça-feira da convocação de seus dirigentes para depor na CPI do Congresso que apura irregularidades no Carf, a Ford declarou que ainda não foi contatada por nenhum representante do governo ou do Ministério Público no âmbito dessas investigações. 

Em nota enviada ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, a montadora também ressaltou que, como uma empresa "comprometida com a ética e com a integridade em todos os aspectos do negócio", tem uma "posição forte e clara contra a corrupção em todas as nossas operações ao redor do mundo". (Com informações de Igor Gadelha)


Tudo o que sabemos sobre:
economiaOperação ZelotesCarfCPI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.