Marcio Fernandes/Estadão
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CPMF não será suficiente para corrigir rota do déficit fiscal, comenta Armínio Fraga

Em entrevista após participação no Summit Imobiliário, ex-presidente do Banco Central reforça que não foi convidado para participar de novo governo

Aline Bronzati, Cynthia Decloedt e Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2016 | 15h04

SÃO PAULO - O ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Gávea Investimento, Armínio Fraga, avaliou, durante participação no Summit Imobiliário Brasil 2016, que a volta da CPMF não será suficiente para corrigir a rota do déficit fiscal no Brasil. "A coisa chegou em um jeito que não é suficiente só a volta da CPMF, fazer um esforço curto. Não é uma questão cíclica. Nossa máquina não está preparada para crescer. Vive hoje certa paralisia", afirmou.    

De acordo com Fraga, o Brasil vive hoje uma trajetória "muito perigosa", que combina queima de caixa, Produto Interno Bruto (PIB) encolhendo e juro real "astronômico". Destacou ainda que a relação dívida/PIB, de 72%, não incorpora prejuízos a olho nu, como a necessidade de capital para a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o FGTS. É necessário, na sua visão, uma "reviravolta importante na área fiscal".    

"Nossos Estados estão péssimos do ponto de vista de finanças. O Rio de Janeiro vive um momento particularmente difícil", acrescentou o sócio-fundador da Gávea.    Ele vê a relação dívida/PIB do Brasil chegando perto dos 80%, crescendo entre 7% e 8% por ano.    Para Fraga, alinhar a trajetória da dívida pública no País requer uma reforma de Estado. "O melhor a fazer de cara seria arrumar a trajetória da dívida pública", avaliou Fraga.

Governo. Fraga negou rumores de que teria sido convidado para participar de um novo governo e desmentiu ter jantar agendado com o vice-presidente Michel Temer esta noite. "Não fui convidado a participar de um novo governo", afirmou. 

O ex-presidente do Banco Central reiterou, no entanto, que gostaria de colaborar como o que fosse possível e que suas políticas estariam próximas do que havia elaborado na composição da chapa do então candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves, em 2014. Fraga negou que tivesse um jantar com o vice Temer esta noite e disse que na suposição de um encontro, o tema seria econômico. "Não tivemos a chance de conversar. Se Temer me der a honra de um convite irei, e será para sugestões na área econômica", afirmou. "Não há jantar esta noite", afirmou e observou que tal assunto sobre agenda deve ser checado com o próprio Temer. 

 Ele acrescentou que já havia sinalizado que nesse momento não poderia compor o governo, por razões pessoais, que envolvem por exemplo a recém recompra da Gávea Investimentos. Há especulações que de Fraga ocuparia o Ministério da Fazenda em um eventual governo pós impeachment da presidente Dilma Rousseff, com o atual vice, Michel Temer ocupando a presidência.

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