Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

‘Credibilidade é mais importante do que os juros’, diz presidente do BC

Em entrevista ao jornal ‘Valor Econômico’, Roberto Campos Neto afirmou que a forma correta de estimular a economia é pela credibilidade da política monetária

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 08h47

Em entrevista ao 'Valor Econômico', o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, defendeu que a forma correta de estimular a economia é pela credibilidade da política monetária. "Eu vou lá e reduzo os juros, porque eu quero dar um impulso à economia. Provavelmente, o que vai ocorrer nesse cenário? A curva de juros vai inclinar, os juros futuros vão subir", afirmou. 

"Saindo um pouco do tema do crescimento, indo para o tema do papel do BC, o principal papel do BC é ter credibilidade, manter os preços constantes, manter a inflação sob controle, com credibilidade, e ancorar a inflação num período mais longo", disse. "É importante ter credibilidade, mas a gente também tem que lembrar que as nossas revisões de crescimento para baixo não vieram acompanhadas de revisão de inflação para baixo", acrescentou.

Segundo Campos Neto, a instituição deve revisar a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para baixo. "O mercado está ao redor de 1%, já tem algumas casas falando num número próximo a 1%. Mas, se você olhar a inflação, (no caso de) grande parte das casas e a nossa própria revisão, ela está perto do que estava antes. A gente teve na verdade um movimento de revisão de crescimento para baixo que não veio acompanhado (de queda das projeções de inflação)", afirmou. "A melhor forma de contribuir para o crescimento é ter credibilidade", pontuou.

Em relação à reforma da Previdência, "vai ser aprovada", de acordo com o presidente do BC. "É difícil falar de timing e quantidade, mas a gente acha que a reforma vai ser aprovada. Acho que esse vai ser um elemento importante. Também temos o cuidado de dizer que falamos em reformas, e não só uma reforma. O importante para o Banco Central é como essas variáveis nos impactam no canal da inflação, pelo canal da credibilidade. Olhando as variáveis de mercado, parece que teve um ganho nesse sentido nos últimos tempos, ou porque a sociedade entendeu que está mais perto de um acordo ou porque entendeu que a parte política melhorou."

Campos Neto contou ainda que o BC tem estudado formas de mudar a estrutura do cheque especial, permitindo que os bancos cobrem tarifas nessas operações para, em troca, oferecer juros mais baixos. 

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