Credit Suisse elevará capital em US$15,6 bi

O Credit Suisse revelou nesta quarta-feira uma série de medidas para reforçar sua base de capital em 15,3 bilhões de francos suíços (15,6 bilhões de dólares), em meio aos esforços para reconquistar a confiança dos investidores após críticas do banco central suíço.

Reuters

20 de julho de 2012 | 13h30

A instituição financeira informou que as medidas incluem emissão de bônus conversíveis e troca de notas híbridas que vão aumentar o nível de capital em 8,7 bilhões de francos (8,9 bilhões de dólares) imediatamente.

O anúncio fez as ações do banco dispararem, exibindo uma das melhores performance entre as blue chips europeias.

Outras medidas, como desinvestimentos, pagamento de bônus em ações e impactos relacionados a resultados, deverão adicionar outros 6,6 bilhões à base de capital do banco até o final do ano.

"As medidas anunciadas hoje devem acabar com qualquer dúvida que o relatório do Banco Nacional Suíço levantou", disse o presidente-executivo do banco, Brady Dougan, em teleconferência.

Dougan, que fez o banco passar pela crise financeira sem a necessidade de resgate, ficou sob fogo cruzado porque as ações do Credit Suisse despencaram no mês passado após o BC ter pedido ações urgentes para reforçar o capital da instituição neste ano.

O Banco Nacional Suíço parabenizou a decisão do Credit Suisse. "Em um ambiente que continua particularmente desafiador para o sistema bancário internacional, estas medidas substancialmente elevam a resistência do Credit Suisse Group", afirmou o banco central da Suíça.

Apesar da alta das ações do banco, a cotação de 18 francos ainda está abaixo dos 19 francos antes do relatório do banco central em 14 de junho.

"Não estamos impressionados com as medidas, que causam diluição desnecessária aos acionistas", disse Dirk Becker, analista do Kepler.

"As medidas de capital vão deprimir receitas por meio de venda de ativos, afetar negativamente o moral da equipe por meio de uma 'voluntária' troca de bônus em dinheiro em ações e vão tornar impossível a geração de um retorno razoável", acrescentou.

O banco ainda não concorda com o "estilo e substância" do relatório da autoridade monetária, mas percebeu que seria prudente agir mais decisivamente para impulsionar o capital, disse Dougan na teleconferência.

"As medidas anunciadas são positivas do ponto de vista da solvência, mas deixam algumas dúvidas sobre a credibilidade da gestão do Credit Suisse", disse Rainer Skierka, analista da Sarasin. "Além disso, o custo dos negócios vai crescer mais e alguns efeitos de diluição também vão ocorrer com as medidas de capital."

O Credit Suisse informou que 3,8 bilhões de francos em conversão de bônus representará uma diluição de 18 por cento quando os papéis forem transformados em 234 milhões de ações em março de 2013.

RESULTADO

O banco anunciou também nesta quarta-feira que teve lucro líquido de 788 milhões de francos no segundo trimestre, adiantando os resultados que estavam marcados para sair apenas na próxima quinta-feira. O banco informou que agora vai informar números completos na terça-feira.

O lucro antes de impostos no banco de investimento caiu para 383 milhões de francos ante 998 milhões no trimestre passado. O banco teve perdas em renda fixa e descreveu operações com taxas de juros e câmbio como "desafiadoras".

(Por Katharina Bart)

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