Arnd Wiegmann//Reuters
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Credit Suisse espera retração da economia de 3% neste ano e de 1,5% em 2016

Para o câmbio, a instituição financeira espera que o dólar encerre 2015 cotado a R$ 4,25, subindo para R$ 4,5 em 2016

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 11h26

SÃO PAULO -Um dia após o governo federal anunciar medidas de austeridade fiscal que somam R$ 64,9 bilhões, o Credit Suisse revisou suas projeções para as principais variáveis macroeconômicas do Brasil em 2015 e 2016. O banco prevê agora que a economia brasileira deverá ter retração de 3% neste ano e de 1,5% no próximo ano, ante previsões anteriores de quedas de 2,6% e 0,8%, respectivamente.

Para o câmbio, a instituição financeira espera que o dólar encerre 2015 cotado a R$ 4,25, subindo para R$ 4,5 em 2016. As estimativas anteriores eram do dólar cotado a R$ 3,4 e a R$ 3,6, respectivamente. Já para a inflação, as projeções para o IPCA foram revisadas de 9,4% para 9,5% em 2015 e de 6,5% para 7,3% em 2016.

O Credit Suisse também elevou sua projeção para déficit primário para 0,5% do PIB tanto este ano quanto em 2016, ante previsões anteriores de -0,2% e 0% do PIB, respectivamente. De acordo com o banco, embora alguma das medidas anunciadas pelo governo tenham execução mais imediata, a parte mais significativa das propostas tende a enfrentar resistência política "significativa", tanto do lado das despesas quanto das receitas. A expectativa do banco é de que o alcance das medidas sobre o resultado primário seja "provavelmente mais próximo a 0,4 ponto porcentual do PIB". Nesse cenário, a instituição financeira projeta déficit nominal de 9,5% do PIB em 2015 e de 7,5% em 2016.

Em relatório enviado a clientes, o Credit Suisse afirma que a expectativa de contração maior da atividade econômica decorre, principalmente, dos indicadores mais recentes, em particular, da produção industrial em julho, que recuou 8,9% frente o mesmo mês de 2014, e da perspectiva de nova retração em agosto. Também influenciaram a revisão, acrescenta o banco, o aumento da incerteza doméstica nos próximos trimestres, principalmente após a perda do grau de investimento do Brasil pela Standard and Poor´s (S&P) e a maior incerteza sobre a carga tributária efetiva. Nesse cenário, o banco espera quedas de 0,8% e de 0,9% no PIB do terceiro e quarto trimestres de 2015. 

Santander. As ações do Santander têm mostrado desempenho inferior ao de papéis do setor nos últimos três meses, o que, teoricamente, posicionaria o banco espanhol como uma boa oportunidade de compra para os investidores. Segundo o Credit Suisse, no entanto, é preciso ter em mente que a situação macroeconômica do Brasil continua a piorar e que as operações brasileiras e britânicas do Santander são grandes catalisadores do lucro da instituição financeira espanhola.

O Credit Suisse disse que continua "cauteloso" em relação ao Santander antes do dia do investidor do banco espanhol, nos próximos dias 23 e 24. Pela manhã, as ações do Santander tinham leve alta na Bolsa de Madri. (Colaborou Sergio Caldas)

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