Credit Suisse projeta crescimento de 0,6% para o Brasil em 2014

Baixos níveis de confiança dos empresários e das famílias influenciam previsões pessimistas do banco para o País

Igor Gadelha, Agência Estado

18 de agosto de 2014 | 17h59

A economia brasileira deverá crescer apenas 0,6% em 2014, conforme projeção do banco Credit Suisse apresentada nesta segunda-feira, 18, pelo vice-presidente da instituição no Brasil, Leonardo Fonseca. De acordo com ele, do lado da oferta, o destaque negativo será para indústria, que terá recuo de 1,4% no período. Já do lado da demanda, serão os investimentos que terão a maior queda, de 4,6%. Para 2015, a projeção do banco é de crescimento de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Fonseca avaliou que o fraco desempenho da atividade econômica se deve aos permanentes baixos níveis de confiança dos empresários e consumidores e pelo histórico de elevado consumo do governo em anos eleitorais. Segundo ele, apesar da economia mais fraca, o aumento do consumo das famílias continuará significativo. Para o PIB do segundo trimestre deste ano, a projeção do banco é de queda de 0,2%. Caso isso se confirme, ele lembra que o PIB do primeiro trimestre será revisado para baixo, fazendo com que a economia entre em recessão técnica, ou seja, quando há dois trimestres consecutivos de contração.

O vice-presidente do Credit Suisse projeta também que a taxa de desemprego no Brasil deverá recuar para 5% neste ano e que o crescimento da massa salarial continuará elevado em 2014, no caso 2,7%, ante alta de 2,6% no ano anterior. O banco avaliou ainda que uma retomada da indústria no curto prazo é "improvável", em razão dos altos estoques e da baixa confiança do setor. "Teremos dois anos com crescimento relativamente baixo", afirmou, avaliando que parte da situação que a economia brasileira vive é consequência de aspectos conjunturais, que poderão ser resolvidos com ajustes a partir de 2015.

Inflação. O vice-presidente do Credit Suisse defendeu a redefinição do centro da meta da inflação oficial, atualmente em 4,5%, a partir de 2015, "como forma de coordenar o processo de redução das expectativas dos agentes públicos". Na avaliação do banco, essa meta é muito alta na comparação com outros países. Ele criticou também o fato de o Brasil ser, entre os países que seguem o regime de metas, o único onde os membros do Comitê de Política Monetária não têm mandato fixo. Segundo ele, essa alternância seria importante para combater a inflação.

Fonseca defendeu que o centro da meta deveria ser de 6,5% em 2015, a partir de quando seria gradativamente diminuído para 5,5% em 2016, 5% em 2017, voltando para os atuais 4,5% em 2018.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá ficar acima do teto da meta estabelecida pelo governo, de 6,5%, no segundo semestre de 2014, mas fechará o ano em 6,4%, segundo previsão do banco Credit Suisse. O resultado em 2014 se dará pela "elevada persistência" do setor de serviços.

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