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Crédito a empresas volta ao nível de 2007

Novas concessões de empréstimos caíram quase 25% em janeiro

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

A concessão de novas operações de crédito bancário para as empresas caiu fortemente em janeiro e atingiu o montante mais baixo desde setembro de 2007. O volume de novos financiamentos, de R$ 84,5 bilhões, recuou 11,4% em relação a janeiro de 2008. Na comparação com dezembro, o tombo foi ainda maior: 24,8%. Os dados contrariam o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, que tem dito que as concessões de crédito já estariam retornando aos níveis que antecederam o aprofundamento da crise, em setembro.O montante refere-se às operações de crédito livre, que não têm destinação específica nem são direcionadas por lei. O valor é 13,7% menor que o de agosto de 2008. Para o analista da Tendências Consultoria Bruno Rocha, "os bancos estão mais seletivos na liberação do crédito". Em relatório, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) observou que parte da retração do crédito foi compensada pelo desempenho dos bancos públicos. "A perda de ritmo só não foi maior por causa do desempenho dos empréstimos direcionados, ancorados nas operações do BNDES", diz o Iedi.Além de mais escasso, o crédito para as empresas ficou mais caro. O juro médio cobrado das empresas subiu de 30,7% ao ano em dezembro para 31% em janeiro.A alta decorreu da ampliação da margem do banco. O chamado spread bancário - diferença entre a taxa de captação e o juro cobrado nos empréstimos - passou de 18,4 pontos para 18,8 pontos porcentuais ao ano. Em fevereiro, a tendência continua e o juro avançou para 31,2% nos primeiro oito dias úteis. O salto do spread foi maior, para 21,5 pontos. Entre as pessoas físicas, os financiamentos não tiveram queda tão expressiva. Em janeiro, as famílias tomaram R$ 49,2 bilhões nos bancos, valor apenas 1,6% inferior ao de dezembro e 1,8% menor que o visto em igual mês de 2008. Bruno Rocha, da Tendências, alertou para o fato de que as famílias têm recorrido ao "crédito de pior qualidade", tomado normalmente por clientes com endividamento elevado, como o cartão de crédito. Mas os números mostram também que o crédito pessoal, que tem custo mais baixo do que cartão e cheque especial, cresceu bastante: 9,9%.Mesmo com a retração no volume de novas operações, o estoque de crédito do sistema financeiro apresentou ligeira elevação. No fim de janeiro, o total somava R$ 1,2 trilhão, com alta de 0,2% ante dezembro e salto de 30,1% na comparação com o primeiro mês de 2008.

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