Crédito a veículos não é o subprime brasileiro, diz Febraban

'Setor é importante, mas é muito menor, comparativamente, ao tamanho do subprime', diz economista

Patricia Lara e César Bianconi, da Agência Estado

28 de janeiro de 2009 | 13h07

Com o crédito farto no primeiro semestre deste ano, principalmente no setor de carros, cresce a preocupação com os níveis de inadimplência. Dados da Febraban mostram que o nível de inadimplência total deve sair de 4,8% agora para um patamar de 5,5% neste ano. Apesar deste cenário, o economista-chefe da Federação, Rubens Sardenberg, não acredita que o crédito a veículos seria a origem no Brasil de uma crise da proporção do estouro dos financiamentos subprime (alto risco de calote) nos EUA.   "Não me parece que sejam fenômenos da mesma extensão. O setor de veículos é importante, mas é muito menor, comparativamente, ao tamanho do subprime", ressaltou Sardenberg, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo - serviço de informações financeiras da Agência Estado.   "O nível de alavancagem é muito menor e os prazos são muito mais baixos (no financiamento de veículos), na comparação com o de um financiamento imobiliário." Segundo Sardenberg, é provável vermos aumento de inadimplência nesse segmento. "O que aconteceu em dezembro deve continuar acontecendo", comentou Sardenberg.   Dados divulgados na terça-feira, 27, pelo Banco Central mostraram que a inadimplência no financiamento de veículos atingiu o maior patamar da história em dezembro. O porcentual dos empréstimos com atraso nos pagamentos superior a 90 dias atingiu 4,3% no último mês de 2008, ante 4,1% de novembro. Esse é o maior patamar da série histórica iniciada em junho de 2000 e mostra que o total das parcelas com atraso superior a três meses que bancos têm a receber já soma R$ 3,5 bilhões.   "A questão dos veículos é mais restrita a um segmento e de um tamanho muito menor do que o vimos lá fora", afirmou.   Para o analista, o primeiro trimestre ou o primeiro semestre serão decisivos para se mensurar a real extensão da crise e se traçar cenários mais claros para os níveis de inadimplência no crédito.   "Especialmente, teremos uma dimensão maior desse ritmo de desaceleração da economia brasileira. Esse será um fator decisivo para a evolução da inadimplência. Nós estamos no Brasil em uma situação que depende em muito da evolução do cenário internacional."   Crescimento   Sardenberg afirmou que o crédito deve crescer entre 15% e 20% em 2009, com destaque para os empréstimos corporativo. A expectativa é de que a fatia do crédito bancário no mix das fontes de financiamento das empresas cresça, em razão das dificuldades de se levantar recursos no mercado de capitais em decorrência da crise financeira.   Ele detalhou, nos bastidores da entrevista, que o crédito a empresas deve subir perto de 20% em 2009, enquanto o voltado a pessoas físicas deve ter expansão de 10% a 15%. Ele prevê uma migração das captações corporativas no exterior para o mercado doméstico, em reais, ao mesmo tempo em que acredita que o segmento de pessoas físicas irá refletir o aumento do desemprego e a consequente desaceleração da procura por empréstimos consignados e para a compra de veículos.   Esse cenário leva em conta uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do País ao redor de 1,5%, inferior à média das previsões do mercado, que aponta para um crescimento da economia ao redor de 2% este ano.

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