Crédito acelera reação na China

Financiamentos dobram em relação a 2008 e produção industrial tem retomada mais rápida que o esperado

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

A China surpreendeu os analistas e apresentou em maio uma série de indicadores que apontam a retomada da atividade econômica em velocidade mais rápida que a esperada. A produção industrial teve a maior alta dos últimos oito meses, o volume de crédito bancário dobrou em relação a igual período de 2008, os investimentos tiveram alta de 39% e as vendas no varejo subiram 15,2%.Os dados foram divulgados um dia depois do anúncio de queda de 26% nas exportações de maio, em um indício de que a recuperação do país tem sido alimentada por fatores domésticos, entre os quais o mais importante é o pacote de estímulo de US$ 585 bilhões divulgado em novembro. A produção industrial do mês passado aumentou 8,9%, depois de subir 7,3% em abril e apenas 3,8% nos dois primeiros meses do ano. Mas o índice ainda está bem abaixo dos 16% registrados em maio de 2008.Por trás da forte elevação dos investimentos está a expansão sem precedentes do volume de crédito bancário, que atingiu 664,5 bilhões de yuans (US$ 97,3 bilhões) em maio, acima dos 592 bilhões de yuans de abril e duas vezes o valor registrado em igual período de 2008. De janeiro a maio, o sistema financeiro chinês já concedeu empréstimos no valor total de 5,84 trilhões de yuans (US$ 855 bilhões), cifra que supera o pacote de estímulo e o volume de financiamentos de 2008 inteiro. Outros indícios do aquecimento econômico são a retomada da venda de imóveis e a alta na venda de automóveis, que consolidou a presença da China como maior mercado automobilístico do mundo, à frente dos Estados Unidos. Só em maio, a venda de carros teve alta de 29%.Mas há dúvidas sobre até quando a China pode crescer em um ambiente global desfavorável. "Se a demanda externa continuar deprimida no próximo ano ou além, a sustentação da recuperação baseada no pacote de estímulo passará a ser uma séria questão", escreveu a economista-chefe do banco UBS na China, Wang Tao, em relatório a seus clientes.Em sua avaliação, se não houver recuperação das economias desenvolvidas, o crescimento chinês dependerá da expansão do setor imobiliário doméstico, que ainda é incerta. Outra preocupação é o impacto que o rápido aumento do crédito terá sobre a saúde dos bancos. Há consenso entre analistas de que a expansão levará à elevação no volume de créditos irrecuperáveis (os NPLs), mas ninguém sabe em que extensão.Stephen Green, economista-chefe do Standard Chartered na China, avalia que o problema será amenizado se o país conseguir crescer na casa dos 8%, não só agora, mas nos próximos anos. Mas a situação poderá se agravar se o índice ficar em torno de 6%, o que fará com que muitas empresas não tenham condições de pagar seus empréstimos.

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