Crédito ainda deve crescer, mas ritmo mudou

Em dezembro de 2010, o estoque de crédito atingiu R$ 1,704 trilhão, com crescimento de 20,5% no ano. O crédito como proporção do PIB passou de 44,4% em 2009 para 46,6%, mesmo com o forte crescimento da economia no ano (quase 8%).

Thaís Marzola Zara, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

No ano passado, o crescimento da demanda por crédito da pessoa jurídica foi atendido, em grande parte, por emissão de títulos privados (ações e debêntures, por exemplo) e pelo crédito direcionado (os desembolsos do BNDES cresceram 12,8%), deixando livres, de certa forma, o caixa dos bancos, que puderam ampliar a oferta de crédito à pessoa física. Prova disso é que, na comparação do ano de 2010 com 2009, a concessão de crédito (novos empréstimos) teve crescimento real de 15,7% para pessoa física e de apenas 2,8% para jurídica.

Ao mesmo tempo, a contenda por fatias de mercado entre os bancos nacionais públicos e privados acabou levando a uma redução da taxa de juros e dilatação dos prazos dos empréstimos para a pessoa física, a despeito do aumento da Selic e do compulsório implementados em 2010.

As perspectivas para 2011, contudo, são menos alvissareiras. Estamos diante do que deve ser um ano de crescimento mais moderado do crédito, em especial para pessoa física. Se as medidas macroprudenciais já tomadas, bem como o ciclo de aperto da Selic já iniciado, não forem suficientes para isso, mais medidas com efeito restritivo poderão vir - ou a alta da Selic será maior. Em qualquer das hipóteses, o BC agirá para conter o crédito. Ou seja, o crédito continuará sustentando a expansão da demanda, contudo, sem dúvida, o ritmo mudou.

ECONOMISTA-CHEFE DA ROSENBERG CONSULTORES ASSOCIADOS

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