Crédito ao consumidor aumenta mais do que o PIB

Motor das vendas neste fim de ano, o crédito à pessoa física cresce mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Dados do Banco Central, analisados pela Centralização de Serviços dos Bancos (Serasa), mostram que o saldo de empréstimos liberados às pessoas atingiu R$ 90 bilhões em setembro, o que representou crescimento real (descontada a inflação do período) de 1,9%, em relação ao saldo registrado em dezembro do ano passado.Este número está acima das projeções do mercado para a variação do PIB em 2003, que apontam para um aumento ao redor de 0,6%. ?A expansão do crédito deverá ser impulsionada ainda mais neste trimestre, superando a taxa de 1,9% e chegando até 4 vezes mais que a variação estimada do PIB?, diz Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa. Além da oferta maior de crédito, a tendência para o período também é de inflação declinante.No ano passado, para um crescimento do PIB de 1,4%, o crédito teve queda real de 3,2%, com saldo de R$ 81,7 bilhões em dezembro. Os dados do BC referem-se ao total de financiamentos, com juros pré e pós-fixados, sem considerar os créditos de habitação.Caixa das lojas - O avanço do crédito se reflete no caixa das lojas. Casas Bahia e Lojas Cem, duas das maiores redes de varejo de eletroeletrônicos e móveis do País, por exemplo, esperam faturar neste Natal até 50% a mais do que no de 2002. No mês passado, a Lojas Cem vendeu 23% a mais do que em outubro do ano passado.Desde julho, quando a Lojas Cem passou a reduzir mais acentuadamente os juros do crediário e alongou o prazo máximo de pagamento de 16 para 20 meses, o faturamento só tem crescido em relação ao ano passado. Nesse período, os juros foram reduzidos de 6,9% para 4,4% ao mês, no plano mais longo.Seguindo a tendência, a Casas Bahia reviu pela segunda vez a expectativa de vendas para este ano. Ela passou de R$ 5 bilhões para R$ 5,2 bilhões, e agora para R$ 5,5 bilhões. Para 2004, a previsão de Michael Klein, diretor administrativo e financeiro, é de faturar R$ 7 bilhões. Neste Natal, o crescimento de vendas deverá chegar a 50%. Para Klein, os celulares e aparelhos de DVD devem ser o carro-chefe das vendas neste Natal.Bancos - Os bancos não querem ficar de fora dessa ciranda de recuperação e tentam garantir sua participação no crédito ao consumidor. Nos últimos 30 dias, foram anunciadas duas grandes operações de compra de financeiras por bancos. Em outubro, o HSBC assumiu o controle da Losango. Na sexta-feira, o Bradesco anunciou a compra da Zogbi.Fatores adicionais devem contribuir para a ampliação das vendas. Categorias importantes estão em campanha salarial e deverão conseguir reajustes. Os metalúrgicos saíram na frente e conseguiram aumento real de salários. Mesmo que o índice de reajuste seja inferior ao da inflação, sempre haverá um ganho na massa de salários.Além do reforço na renda, a inadimplência está em baixa, um indicativo de que a situação melhorou. Nos nove primeiros meses do ano, o indicador Serasa de inadimplência ficou em 3,5%, contra 29% no mesmo período de 2002.E mais: às vésperas do Natal, o brasileiro está pondo suas finanças em dia. Até setembro, mais de 1 milhão de pessoas conseguiram quitar ou renegociar as dívidas e retirar o nome da lista negra de inadimplentes da Serasa, o que representa crescimento de 26% em relação a igual período de 2002.

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