Crédito ao consumidor nos EUA tem 1º declínio desde 1998

Volume de recursos disponíveis recua US$ 7,9 bilhões em agosto; expectativa era de aumento de US$ 6 bi

Ana Conceição, da Agência Estado,

07 Outubro 2008 | 16h50

A concessão de crédito ao consumidor recuou nos Estados Unidos pela primeira vez desde janeiro de 1998 no mês de agosto, mais um sinal do crescente estresse financeiro dos consumidores norte-americanos. O volume de crédito ao consumidor recuou US$ 7,9 bilhões (3,7%) em agosto para US$ 2,577 trilhões, de acordo com relatório do Federal Reserve divulgado nesta terça-feira, 7.   Veja também: Juro nos EUA pode cair, sinaliza presidente do BC americano Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil Entenda a crise nos EUA      O número ficou bem abaixo das previsões de Wall Street, que esperava aumento de US$ 6 bilhões no período. É o primeiro declínio registrado desde janeiro de 1998, quando o crédito recuou 4,35%, ou US$ 4,7 bilhões.   O Fed revisou o número de julho, quando houve aumento de US$ 5,2 bilhões no estoque de crédito. A estimativa anterior era de um crescimento de US$ 4,6 bilhões. O recuo de agosto reflete os problemas financeiros por que passam os consumidores americanos. A redução de gastos e o enfraquecimento da economia tendem a diminuir a concessão de crédito.   Os dados do Fed excluem hipotecas residenciais e outros empréstimos imobiliários, que tendem a ser muito voláteis a cada mês e são revisados freqüentemente.   O crédito rotativo, que reflete principalmente o financiamento por meio de cartão de crédito, recuou em agosto a uma taxa anual sazonalmente ajustada de 0,8%, ou US$ 612 milhões, para US$ 969 milhões. Em julho, o rotativo tinha crescido 5,0%, ou US$ 4 bilhões. A estimativa anterior do Fed para esse mês era de US$ 3,9 bilhões.   Alguns consumidores contaram com os cartões de crédito para enfrentar o aumento nos preços dos alimentos e dos combustíveis e o recuo do valor de suas residências, além das difíceis condições de crédito.   O crédito não-rotativo recuou em agosto a uma taxa anual sazonalmente ajustada de 5,4%, ou US4 7,3 bilhões, para US$ 1,608 trilhão. Em julho, este tipo de crédito tinha aumentado 0,9%, ou US$ 1,2 bilhão, de uma estimativa anterior de US$ 678 milhões. O crédito não-rotativo é usado principalmente no financiamento de automóveis.

Mais conteúdo sobre:
Crise Financeira Crise nos EUA Crédito

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.