Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Crédito ao trabalhador pode ter juros baixos, diz Marinho

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, disse, ao chegar ao Palácio do Planalto para a cerimônia de lançamento do programa de crédito ao trabalhador com consignação em folha de pagamento das empresas, que é possível reduzir as taxas de juros para abaixo de 3% ao mês, nessa nova modalidade de crédito. Marinho - que levou, em julho, ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a idéia do empréstimo em consignação - disse que, agora, o mais importante é negociar com os bancos para obter uma redução máxima das taxas, para que o trabalhador que está "pendurado" no cheque especial ou "amarrado" nas mãos de agiotas possa pagar suas dívidas. Marinho lembrou que, hoje, o juro do cheque especial está entre 7% e 10%. A exemplo do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, também Marinho previu que, num primeiro momento, o trabalhador aproveitará o empréstimo para pagar dívidas e, só num segundo momento, vai planejar uma reforma na casa ou comprar um bem.Marinho disse que a CUT poderá fazer uma negociação nacional de referência com os bancos, e aí os sindicatos completariam a negociação para as respectivas categorias. Segundo o presidente da central, não será uma negociação fácil, "mas também não será um bicho de sete cabeças". A expectativa da CUT é que, já nos próximos dias, o trabalhador possa tomar financiamento dentro da nova modalidade de crédito. O programa, conforme explicou Marinho, tem três modalidades: na primeira, o trabalhador pode fazer o empréstimo diretamente com seu banco; na segunda, a empresa pode fazer a negociação com o banco, mas terá de ter o aval do sindicato; e, na terceira modalidade, o sindicato negocia e a empresa terá de acatar essa negociação."Com essas três modalidades, teremos a menor taxa para o trabalhador", disse Marinho. Ele disse acreditar que a procura será grande. Também considerou muito positivas as outras duas medidas anunciadas pelo governo, de uso do FGTS para os mutuários do Sistema Ffinanceiro de Habitação (SFH) pagarem dívidas em atraso e a utilização de recursos do FAT para financiamento de eletrodomésticos. Segundo Marinho, esta última medida ajudará a oferecer crédito mais barato ao trabalhador, contribuindo para a retomada do crescimento.Força sindical também espera conseguir juros mais baixosJá o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, está confiante de que os sindicatos conseguirão negociar juros baixos no programa de crédito com desconto na folha de pagamento das empresas, que está sendo lançado hoje pelo governo. Paulinho disse que existem bancos que já procuraram a Força Sindical oferecendo "a metade dos juros que estão na praça".Paulinho disse que a partir de hoje a Força Sindical vai começar uma articulação nacional para fazer negociações por categoria sindical no País inteiro. Ele acredita que desta forma, numa negociação mais ampla, os trabalhadores terão mais força para assegurar juros mais baixos.O dirigente sindical também avalia que, num primeiro momento, os trabalhadores vão utilizar o empréstimo para pagar suas dívidas ou fugir dos agiostas de porta de fábrica, que cobram taxa de juros de 20% a 25% por mês. E, como o presidente da CUT, Paulinho também acredita que só num segundo momento os trabalhadores utilizarão o dinheiro para o consumo. Mesmo assim, Paulinho acredita que a medida vai ajudar na retomada da atividade econômica porque vai haver um maior giro de dinheiro. EletrodomésticosEle considerou muito positivo também o programa que está sendo lançado hoje pelo governo de uso dos recursos do FAT para a compra de eletrodomésticos, lembrando que o setor passa por dificuldades e vem promovendo demissões nos últimos meses. Paulinho defendeu, no entanto, a idéia de que o dinheiro do FAT possa ser usado pelos bancos privados e não só pela Caixa Econômica e Banco do Brasil. Na sua opinião, isso facilitaria a vida do trabalhador já que nem todas as fábricas dispõem de postos desses dois bancos oficiais. "É mais democrático. Qual o problema de os bancos privados também utilizarem os recursos?", questionou Paulinho. O dirigente também elogiou a decisão do governo de utilização dos recursos do FGTS para os mutuários do SFH pagarem débitos de prestações em atraso. "São medidas muito positivas", avaliou ele.

Agencia Estado,

17 de setembro de 2003 | 11h46

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.