Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30/09/2019
Sede do Banco Central; Houve expansão de 20,8% no crédito para pessoas físicas Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30/09/2019

Crédito bancário sobe 16,5% em 2021, maior alta em dez anos

Crescimento registrado, portanto, foi de R$ 664 bilhões em 2021, o maior aumento desde o início da série histórica do BC, em 1991

Eduardo Rodrigues e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2022 | 10h16

BRASÍLIA - O volume de crédito pelos bancos cresceu 16,5% em 2021, atingindo o recorde de R$ 4,684 trilhões, segundo números divulgados nesta sexta-feira, 28, pelo Banco Central. Segundo o BC, o crescimento é o maior desde 2011, ou seja, em dez anos.

No fim de 2020, o estoque do crédito em mercado estava em R$ 4,02 trilhões. O crescimento registrado, portanto, foi de R$ 664 bilhões em 2021, o maior aumento desde o início da série histórica do BC, em 1991. 

Houve expansão de 20,8% no crédito para pessoas físicas (em relação aos 11,2% que tinham sido registrados em 2020) e de 11,1% para empresas (número menor que a expansão de 21,8% do ano anterior, quando foi impulsionado por linhas criadas para o combate à pandemia).

De acordo com o BC, o estoque de crédito livre (recursos que os bancos podem emprestar sem seguir as regras do governo) avançou 20,7% em 2021, enquanto o de crédito direcionado (BNDES e rural) apresentou alta de 10,8%.

Segundo o Banco Central, as novas concessões de crédito cresceram 19% em 2021, contra 5,3% no ano anterior. As contratações com empresas cresceram 15,1% no ano (10,9% em 2020) e as com pessoas físicas avançaram 22,6% em 2021 (de 0,6% em 2020).

A taxa de inadimplência, por sua vez, atingiu 2,3% em dezembro, com aumento de 0,2 ponto percentual na comparação com o fechamento do ano anterior, quando estava em 2,1%. No crédito para as pessoas físicas, o indicador passou de 2,8%, no fim de 2020 para 3% no fechamento de 2021. E, no caso das empresas, avançou de 1,2% para 1,3% na mesma comparação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Juro do cartão de crédito explode em 2021 e fecha em 350% ao ano

No ano passado, as taxas subiram em ritmo superior à alta da Selic

Eduardo Rodrigues e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2022 | 10h41

BRASÍLIA - Em meio ao ciclo de alta acelerada da taxa básica de juros, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu 21,8 pontos porcentuais em 2021, informou, na manhã desta sexta-feira, 28, o Banco Central. A taxa passou de 327,8% em dezembro de 2020 para 349,6% ao ano no fim de 2021.

O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades. 

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 148,9% para 168,5% ao ano entre o término de 2020 e 2021.

Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 57,4% para 63,9% na comparação entre dezembro de 2020 e 2021.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Taxa geral

A taxa média de juros no crédito livre (que não leva em conta BNDES e rural) fechou 2021 em 33,9% ao ano. Antes do BC iniciar o ciclo de aperto monetário, no último mês de 2020, essa taxa estava em 25,5% ao ano, ou seja, subiu 8,4 pontos porcentuais em 2021. A Selic, por sua vez, subiu 7,25 pontos porcentuais, de 2,0% para 9,25%, durante o ano passado.

Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre passou de 44,4% para 45,1% ao ano de novembro para dezembro, enquanto para as pessoas jurídicas continuou em 20,0%. No fim de 2020, essas taxas eram de 37,2% e 11,6%, nessa ordem.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa subiu de 115,6% ao ano para 127,6% ao ano. No crédito pessoal, a taxa passou de 30,3% do fim de 2020 para 37,6% em 2021.

Desde 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Em janeiro de 2020, o BC passou a aplicar uma limitação dos juros do cheque especial, em 8% ao mês (151,82% ao ano).

Além da limitação do juro, os dados atuais refletem uma revisão realizada na série histórica do BC. Os números passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Antes, era considerado todo o período de atraso. Esta mudança fez com que o nível do juro no cheque especial, na nova série histórica, fosse menor em anos anteriores.

Os dados divulgados hoje pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros fecharam 2021 em 26,8%. Era 19,2% no último mês de 2020.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 24,4% ao ano em dezembro do ano passado. No mesmo mês de 2020, estava em 18,4%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.