Crédito beneficia arrecadação, mas atividade é fraca

O avanço da arrecadação no primeiro bimestre de 2012, como mostrou a Receita Federal nesta terça-feira, é reflexo, sobretudo, da evolução do mercado de trabalho no País, puxado pelo setor de serviços. Já o setor de serviços tem sido beneficiado pela forte concessão de crédito, nos números do Banco Central. Essa é a opinião do economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

27 de março de 2012 | 15h35

Dados divulgados nesta terça-feira revelaram que a expansão do estoque de crédito e da arrecadação federal em fevereiro subiu, respectivamente, 17,3% (12 meses até fevereiro) e 12,10% (em relação ao mesmo mês de 2011).

O impulso da renda dos trabalhadores neste ano deve levar o varejo restrito a apresentar uma elevação de 10% ante 2011. O nível de emprego no Pais, que aumenta a formalização das empresas, e a manutenção do bom ritmo do consumo, devem elevar a receita do governo em 12% nominais neste ano em relação ao ano passado.

Para Vale, um contraponto a esse parcial quadro favorável da economia é o fraco desempenho da produção industrial, que caiu 3,4% em janeiro ante o mesmo mês do ano passado. Ele estima que em fevereiro esse indicador deve apresentar uma retração de 7,7% ante mês semelhante do ano passado, enquanto para março ele acredita que deva ser registrada uma queda de 4% em relação a março de 2011.

Apesar dos resultados favoráveis da arrecadação e do crédito, os fracos resultados da indústria de janeiro a março indicam que o nível de atividade do País está frágil. Ele estima alta do PIB de apenas 0,5% no primeiro trimestre, na margem.

"Estamos com uma estimativa de PIB de alta de 3,5% neste ano. Mas devido ao desempenho abaixo do esperado da economia nestes três primeiros três meses do ano nossa previsão para o Produto Interno Bruto em 2012 será revista e deve ficar próxima de 3%", comentou.

Sergio Vale projeta que a atividade do setor manufatureiro deve cair 5% no primeiro trimestre ante os mesmos três meses do ano passado. Esse resultado negativo tende fazer com que o PIB do País de janeiro a março fique nulo ante o mesmo período de 2011. "A produção industrial deve crescer somente 1,7% em 2012, mesmo depois de ter ficado estagnada e ter apresentado um avanço de apenas 0,3% em 2011", destacou.

Na avaliação do economista-chefe da MB, a adoção de políticas pelo governo para estimular o nível de atividade, como a redução dos juros pelo Banco Central e medidas de incentivo ao consumo das famílias, caso da prorrogação de redução do IPI para produtos da linha branca, devem fazer com que o crédito cresça 17% neste ano, acima da previsão de alta de 15% do BC. Ele espera que o estoque de recursos destinados a financiamentos alcance 52% do PIB em 2012. Vale prevê um crescimento de 4,8% da massa real de salários neste ano, enquanto a taxa média de desemprego deve cair de 6% em 2011 para 5,2%.

Segundo Vale, a inadimplência de pessoas físicas deve ficar menor no primeiro semestre devido ao avanço da renda real dos ocupados, perspectivas favoráveis do mercado de trabalho no médio prazo e queda de juros pelo BC, que baixou dos 12,50% de agosto até os atuais 9,75% ao ano.

Mas como Vale estima hoje que o PIB neste ano não deve ficar muito distante da alta de 2,7% registrada em 2011, e está distante da previsão de elevação de 4% feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ele pondera que o Copom poderá dar continuidade ao movimento de distensão monetária no dia 30 de maio. "Depois de levar a Selic para 9% em abril, é provável que o Banco Central continue a cortar a taxa, para 8,75% ou até 8,5% no mês seguinte, para dar um pequeno impulso adicional ao nível de atividade", destacou.

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