Crédito caiu 30% no início de outubro, diz Meirelles

Segundo o presidente do Banco Central, porém, volume de empréstimos se recuperou ao longo do mês

Célia Froufe, da Agência Estado,

11 de novembro de 2008 | 15h20

A queda do volume de crédito novo concedido em outubro foi pequena em relação a setembro. A afirmação foi feita pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que ressaltou que os dados só serão conhecidos quando a instituição divulgar oficialmente os números. De qualquer forma, ele adiantou que a redução do crédito na primeira semana do mês passado em relação ao anterior foi de 30%, mas que, ao longo do mês, o volume foi sendo ampliado. Mesmo assim, essa recuperação não foi suficiente para superar os dados de setembro. Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos De acordo com Meirelles, a diminuição de crédito para pessoa física foi "bem pequena", enquanto para as empresas foi um pouco maior. "Existe um cenário de recuperação", avaliou. Ele salientou que os impactos da crise chegam ao Brasil pelo canal do comércio e das expectativas, mas principalmente pelo de crédito, e é por isso que alguns setores, como os ligados à siderurgia, acabam sentindo mais os efeitos da turbulência. O presidente do BC deu como exemplo o segmento de automóveis e de produção de linha branca, cujas vendas são fortemente associadas a financiamentos. "Outros setores ainda estão fortes em outubro e há até recordes de venda", afirmou. "Outros não, tiveram perdas grandes", continuou. Meirelles voltou a enfatizar que o Brasil possui hoje condições de atuação melhores que de outros países, e salientou as medidas adotadas para ampliar a liquidez dos mercados, como a liberação dos compulsórios. Além disso, destacou que a dívida líquida do setor público em relação ao PIB vinha criando o aumento do superávit primário pelo Brasil e a redução do juro real, e que a queda foi acentuada quando o real se depreciou por causa da turbulência financeira. "Isso dá força ao País", avaliou. Política anticíclica Durante o seminário Atitudes Positivas para Enfrentar a Crise, realizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), em São Paulo, Meirelles disse que a recomendação para todos os países enfrentarem a crise financeira internacional é a realização de políticas anticíclica, fiscal e de liquidez. "Todos temos que trabalhar juntos? Sim, todos temos que fazer política anticíclica? Sim", afirmou. O evento conta com o apoio do jornal O Estado de S.Paulo. Durante o discurso, Meirelles foi ainda mais enfático em relação a esta questão. "A recomendação para todos é essa: política anticíclica? Sim. Política fiscal? Sim. Política de liquidez? Sim." Meirelles voltou a comentar o anúncio do pacote chinês de US$ 586 bilhões para combater a crise no país. Ele lembrou que a economia chinesa é impulsionada pelas exportações e que essa medida visa, portanto, a aumentar o consumo doméstico. "No Brasil, nosso problema não é o consumo doméstico. Até setembro, o consumo estava muito forte e o emprego, alto. O problema não vem por aí", avaliou.  O presidente do BC salientou, porém, que, como nos casos de doença, os remédios para combater a crise diferem, pois dependem da situação de cada país. Ele fez a analogia de que ao prescrever um remédio, um médico precisa avaliar se a pessoa doente é idosa ou uma criança e verificar também qual é a intensidade da doença em cada caso. "Não se pode pegar uma lista de remédios e tomar todos", afirmou. Isto porque, segundo ele, entre outras coisas, remédios têm efeitos colaterais.  Para Meirelles é correta a recomendação de que os Estados Unidos ampliem seus gastos, mas, como no caso de uma doença, é preciso estar atento aos efeitos colaterais dessa medida. "A dívida americana será maior do que US$ 1 trilhão", calculou.  Ainda que a recomendação seja a de promover aportes fiscais em países com problemas, é preciso ter atenção às nações que apresentam fragilidades em suas contas públicas. "Como devem agir esses países? Se começarem a gastar mais, podem quebrar", avaliou. Neste caso, segundo ele, demanda-se que o aporte maior venha de instituições multilaterais.

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