Crédito cresce 2,7% no trimestre, mas BC vê indícios de desaceleração

Para o BC, expansão dos empréstimos em 12 meses deve começar a cair com os números deste ano, que refletem as medidas do governo

Fabio Graner e Edna Simão / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

O estoque de crédito na economia brasileira cresceu 2,7% no primeiro trimestre deste ano e o Banco Central avalia que o ritmo de expansão dos financiamentos caminha para uma taxa desejável para desaquecer a economia e conter a inflação. Apenas em março, ante fevereiro, o volume de crédito subiu 1%, mas se manteve estável em 46,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os números divulgados ontem mostram que, em termos anualizados, o crédito neste início de ano de fato se expandiu em ritmo condizente com faixa de 10% a 15% definida como meta pelo presidente do BC, Alexandre Tombini. O problema é que, no primeiro trimestre de 2010, o crescimento foi idêntico ao verificado agora, mas nos trimestres seguintes, foi acima de 5%.

Ou seja, não se pode dizer com absoluta certeza que o ritmo desse trimestre foi fruto das medidas ou apenas um comportamento normal do período. De fato, nos 12 meses encerrados em março de 2011, a taxa de crescimento dos financiamentos ficou em 20,7%, ainda bem acima da faixa ambicionada pelo BC.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, demonstrou confiança na eficácia das medidas adotadas. Segundo ele, a tendência é de que a expansão em 12 meses também comece a cair com a incorporação dos números do crédito de 2011, que já refletirão mais claramente o processo de alta da taxa básica de juros e as iniciativas de restrição aos financiamentos.

Apesar dos dados gerais mais moderados no início do ano, alguns números de março ainda mostraram dinamismo do mercado de financiamentos. No crédito livre, aquele feito com recursos que os bancos podem usar onde quiserem, houve aumento de 8,7% nas concessões de novos empréstimos - para as famílias, a alta foi de 5,7%. Uma fonte do governo, no entanto, afirma que, se forem descontados efeitos típicos do período (dessazonalizado), houve estabilidade nas concessões gerais e queda de 0,6% nas novas operações de pessoa física, o que reforça a tese de moderação do crédito.

Ajuda. Os dados parciais de abril também ajudam o governo nesse discurso. O estoque de crédito livre cresceu 1,2% até o dia 12 deste mês e a média diária das concessões caiu 6,9%. A média diária de novos créditos para pessoa física, por sua vez, recuou 5,4% em abril.

Para o diretor de crédito do Banco do Brasil, Walter Malieni Junior, os dados dos financiamentos para pessoa física em março refletem o pacote de medidas do governo. Ele afirmou que o impacto dessas ações é gradativo, embora seja possível observar, ao se comparar com os números do início de 2010, que o ritmo dos financiamentos às famílias está em desaceleração.

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