Crédito cresce 500% em 10 anos e atinge R$ 2,5 trilhões, mostra estudo

Segundo a Anefac, volume de crédito em proporção do PIB passou de 24,7% em 2003 para 55,2% neste ano

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

17 de setembro de 2013 | 12h29

Em dez anos, o volume de crédito elevou sua participação como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) de 24,7% em 2003 para 55,2% em 2013, segundo estudo divulgado nesta terça-feira pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças. Administração e Contabilidade (Anefac).

O volume total de crédito do sistema financeiro, considerando recursos livres e direcionados, atingiu em junho deste ano R$ 2,531 trilhões, valor 563% maior que os R$ 381,367 bilhões de junho de 2003. Neste período, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 70,57%.

Segundo o trabalho, a análise de dez anos das condições de crédito no País, edição 2013, demonstra que "efetivamente as condições de crédito apresentaram substancial melhora com forte expansão do volume emprestado, redução das taxas de juros, redução de spreads bancários, aumento dos prazos médios de financiamento e redução da inadimplência mesmo com todo este crescimento no crédito".

"Com referência ao volume de crédito, tivemos entre 2003 e 2013 uma forte expansão de mais de 500%", disse o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira. No entanto, segundo o executivo, as taxas de juros e spreads bancários ainda se encontram em níveis muito elevados.

As operações de crédito no segmento de recursos livres atingiram R$ 1,445 trilhão em junho de 2013 contra R$ 214,732 bilhões em junho de 2003, com um crescimento de 573%. O crédito para pessoa jurídica avançou 452% no período, saindo de um volume de R$ 132,209 bilhões para R$ 730,332 bilhões no período. Para pessoa física, o volume atingido em junho deste ano chegou a R$ 715,264 bilhões, mostrando um crescimento de 766,7% sobre os R$ 82,523 bilhões em junho de 2003.

Taxas de juros. As taxas de juros das operações de crédito com recursos livres estavam em junho de 2013 em 26,5% ao ano contra 56,7% ao ano em junho de 2003, mostrando uma redução de 30,2 pontos porcentuais. Na pessoa jurídica, as taxas de juros atingiram, em média, 19,3% ao ano em junho último contra 38,6% ao não em junho de 2003, numa redução de 19,3 pontos porcentuais no período.

Spread Bancário. Com relação ao spread bancário, o estudo da Anefac constatou que a taxa para os créditos pessoa física e jurídica, que em junho de 2003 estava em 33,2% ao ano, em junho deste ano estava em 16,7%, com queda de 16,5 pontos porcentuais. Para pessoa jurídica caiu a 10,1% em junho deste ano ante 14,7% em junho de 2003 e para pessoa física, caiu de 58,5% ao ano em junho de 2003 para 24,5% ao ano em junho de 2013.

Prazos. Em geral, o prazo dos financiamentos apresentou em junho deste ano 38,4 meses, em média, ante 7,3 meses em junho de 2003, com uma elevação de 31,1 meses correspondente a uma elevação de 426% no período.

Na pessoa jurídica, o prazo médio atingiu 30,1 meses em junho deste ano contra 5,7 meses em junho de 2003, numa elevação de 24,4 meses, correspondente a 428% em dez anos. Para os financiamentos à pessoa física, o prazo médio atingiu 47,9 meses em junho deste ano contra 9,8 meses em junho de 2003, numa elevação de 38,1 meses correspondentes a uma elevação de 388,8%.

Inadimplência. De acordo com o estudo da Anefac, a inadimplência geral, considerando os atrasos acima de 90 dias, atingiu em junho deste ano 5,2% contra 8,8% em junho de 2003, numa redução de 3,6 pontos porcentuais no período. Para pessoa jurídica, a inadimplência total (perda) atingiu 3,5% do total da carteira em junho deste ano ante 4,7% no mesmo mês de 2003, uma redução de 1,2 ponto porcentual.

Para pessoa física, a inadimplência total (perda) atingiu 7,2% do total da carteira em junho deste ano contra 15,5% em junho de 2003, numa redução de 8,3 pontos porcentuais no período de dez anos.

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