Crédito cresce 8% no 1º semestre

Estoque somou R$ 1,529 trilhão no fim de junho, o equivalente a 45,7% do PIB; alta foi de 2% ante maio

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 10h30

O estoque de operações de crédito do sistema financeiro nacional cresceu 8,1% no 1º semestre e nos últimos 12 meses, 19,7%. Em junho, a alta foi de 2% ante maio, para R$ 1,529 trilhão, ou 45,7% do PIB, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira, 27. Em maio, o estoque de crédito representava 45,2% do PIB. O saldo de operações com recursos livres teve expansão de 1,8% em junho ante maio, para R$ 1,017 trilhão e o saldo de recursos direcionados foi de R$ 511,6 bilhões, crescimento de 2,4% na mesma base de comparação.

As operações de crédito do sistema financeiro público tiveram expansão de 3,3% em junho ante maio, para R$ 646,1 bilhões. No acumulado do ano, subiram 10% e em 12 meses, 31%. As operações do sistema financeiro privado nacional tiveram alta de 1% em junho ante maio, para R$ 613,3 bilhões. No acumulado do ano, cresceram 8,2% e em 12 meses, 15,5%.

As operações do sistema financeiro estrangeiro no Brasil subiram 1,3% em junho ante maio, para R$ 269,6 bilhões. No ano, a alta desse grupo é de 3,7%, e em 12 meses, de 6,7%.

Base monetária cresce em junho

A base monetária cresceu 1,3% em junho ante maio, totalizando R$ 162,051 bilhões, pelo conceito de média nos dias úteis. Nos últimos 12 meses até o mês passado, a base monetária teve alta de 18,9% na média. O papel moeda emitido cresceu 1,3% na passagem de maio para junho, para R$ 121,275 bilhões. Em 12 meses, a expansão foi de 16,9%. Já as reservas bancárias tiveram alta de 1,6% no mês passado, ante mês anterior, totalizando R$ 40,776 bilhões. Em 12 meses, as reservas bancárias cresceram 25,6%.

Pelo conceito de saldo em final de período (na ponta), a base monetária subiu 0,6%, de maio para junho, totalizando R$ 159,628 bilhões. Em 12 meses, nesse critério, a base monetária acumula expansão de 14,7%. O papel moeda emitido também teve alta de 0,6% em junho ante maio, totalizando na ponta R$ 120,772 bilhões. Em 12 meses, o crescimento foi de 16,7%. As reservas bancárias, por sua vez, tiveram alta de 0,5%, totalizando R$ 38,856 bilhões, em base mensal. Em 12 meses, a expansão das reservas na ponta foi de 8,8%.

Concessão de empréstimos volta a crescer

A expansão dos empréstimos foi liderada pelas contratações para pessoas jurídicas, cuja média diária aumentou 4,4% na comparação com maio e atingiu R$ 5,093 bilhões.

As operações para as famílias foram na direção contrária e apresentaram contração de 0,5% na comparação com maio, para R$ 3,119 bilhões. Essa foi a terceira vez nos últimos quatro meses em que a média diária de novos empréstimos para famílias caiu na comparação mensal.

Apesar desse desempenho recente desfavorável, a concessão média diária de novos empréstimos para as pessoas físicas acumula expansão de 16,6% nos últimos 12 meses contra crescimento de 11% dos empréstimos para pessoas jurídicas no mês período.

Aumenta participação de bancos públicos no estoque de crédito 

Os bancos públicos voltaram a ganhar espaço no total de crédito do sistema financeiro nacional. De acordo com dados do Banco Central, essas instituições tiveram em junho participação de 42,3% no estoque de crédito, ante 41,7% em maio. Os bancos privados nacionais, por sua vez, tiveram redução na participação de 40,5% para 40,1%, enquanto os bancos privados estrangeiros recuaram de 17,8% para 17,6%.

Essa ampliação da parcela do setor público está relacionada ao fato de que o crédito livre cresceu 1,8% de maio para junho, enquanto o crédito direcionado, que é majoritariamente operado por bancos públicos, teve expansão de 2,4%.

Prazo médio operações de crédito com recursos livres atinge 450 dias 

O prazo médio das operações de crédito com recursos livres atingiu em junho 450 dias, ante 435 dias em maio. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, esse é o maior prazo médio da série histórica, iniciada em 2000. As operações para pessoas físicas tiveram prazo médio de 527 dias, ante 518 dias em maio, e as operações para pessoa jurídica passaram de 363 dias para 382 dias. O aumento no prazo médio do crédito, de acordo com Altamir, está relacionado à elevação das operações de crédito habitacional e de crédito pessoal.

Texto atualizado às 13h30

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