Coluna

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Crédito de R$ 880 bi já é o mais alto desde 1995

Volume cresceu 4,2 pontos em 12 meses e atingiu 34% do PIB

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2007 | 00h00

Às vésperas do fim do ano, a concessão de empréstimos cresce a passos largos no Brasil. Dados do Banco Central (BC) revelam que o volume total de crédito aumentou 2,7% em outubro, ante setembro, e atingiu a marca de 34% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 880,303 bilhões. A relação crédito/PIB, que em setembro era de 33,3%, atingiu no mês passado o nível mais alto desde junho de 1995. "O número de 34% é bastante alto para a economia brasileira", avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. O indicador, que é o mais usado para analisar a evolução do crédito, cresce ininterruptamente desde agosto de 2006, quando estava em 29,4%.Em 12 meses, subiu 4,2 pontos porcentuais do PIB. Segundo Altamir, o crescimento da renda, do emprego, a redução nos juros e o aumento nos prazos de financiamento têm impulsionado a expansão do volume de crédito.O economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, avalia que a alta do crédito tem impulsionado a expansão mais forte da economia, embora se realimente com o maior nível de atividade, que eleva a renda e o emprego. "Está havendo uma expansão bastante vigorosa." Já o diretor do MBA da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Tharcísio Souza Santos, avalia a evolução como "auspiciosa".Em outubro, o crescimento dos empréstimos foi liderado pelas empresas, que têm tomado recursos para os preparativos de fim de ano, um comportamento padrão desta época. Na comparação com setembro, o varejo aumentou os empréstimos em 3,3% e a indústria, em 3,1%. Altamir disse que a indústria tem usado o dinheiro para aumentar a produção e o comércio, para reforçar estoques.Na pessoa física, o volume das operações avançou 3,1%. Nesse segmento, o destaque foram as operações de leasing - espécie de aluguel que dá direito à compra do bem no fim do contrato - usadas na compra de veículos, que saltaram 11,4% na comparação mensal. O aumento segue as vendas no mercado interno, que cresceram 6,1% no mês. NATALA onda do crédito, reforçada pela contínua queda dos juros, sustenta a perspectiva otimista para a indústria e o comércio no fim do ano. Segundo Altamir, o Natal deve ter as menores taxas desde o Plano Real. "Do ponto de vista das taxas, as condições serão as melhores da série e com prazos de financiamento mais dilatados." Dados preliminares de novembro, até o dia 9, mostram que a queda do juro continua: a taxa média caiu 0,2 ponto, para 35,2% ao ano. No mês de outubro, ficou em 35,4%, com recuo de apenas 0,1 ponto ante setembro. A redução tem sido liderada pelas operações para as pessoas físicas, com corte de 0,5 ponto, para 45,3%."Tenho a impressão de que, apesar da parada (nos cortes) do juro, ainda temos margem para taxas menores via redução do spread", disse Altamir, referindo-se à taxa Selic, que o BC parou de baixar. Na prévia deste mês, o spread - diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram para emprestar - caiu 0,4 ponto, para 24 pontos porcentuais.Em outubro, o spread médio ficou em 0,2 ponto abaixo de setembro, em 24,4 pontos porcentuais. O segmento pessoa física foi o mais beneficiado, com cortes de 0,5 ponto porcentual em outubro e, na parcial de novembro, redução de mais 0,7 ponto, atingindo 33,8 pontos.O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira, reforça a aposta otimista e diz que a melhora do crédito está ligada à mudança de estratégia dos bancos. "Quem ganhava só com as operações de tesouraria está tendo de buscar operações mais rentáveis porque o juro dos títulos caiu um pouco." Ele aposta que o volume dos empréstimos deve crescer 1 ponto porcentual até o fim do ano, para 35% do PIB.A queda dos juros, porém, não tem sido observada nos empréstimos às empresas. Na prévia do mês, houve ligeira alta de 0,2 ponto, para 23,6%. Segundo Altamir, o dólar em queda tem alterado as condições de empréstimos com recursos captados no exterior, elevando a taxa.

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