Crédito direcionado afasta tomadores de crédito livre

Entre dezembro e janeiro, o crédito aumentou apenas 0,1%, de R$ 2,715 trilhões para R$ 2,717 trilhões, mas cresceu 14,8% em 12 meses, mais que o dobro da inflação do período, segundo o Banco Central. Os números gerais não mostram os dados segmentados: houve redução no ritmo de crescimento dos financiamentos livres, concedidos a critério exclusivo dos financiadores - e a queda foi ainda maior no caso das empresas -, em contraste com a expansão do crédito direcionado (que inclui as operações rurais, os empréstimos imobiliários e os créditos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES).

O Estado de S.Paulo

02 de março de 2014 | 02h05

Em 12 meses, até janeiro, o crédito livre cresceu apenas 7,5%, enquanto o crédito direcionado avançou três vezes e meia mais, ou 25,3%. Na comparação entre dezembro e janeiro, houve diminuição de 1,1% no crédito livre, mas um aumento de 1,5% no crédito direcionado, em que os juros são subsidiados ou os empréstimos são concedidos com base em mecanismos estáveis de captação, caso das cadernetas.

Ainda mais dramático foi o que ocorreu em janeiro com as empresas, cujos empréstimos decresceram 0,7% nominal em relação a dezembro, enquanto as operações com as pessoas físicas registravam expansão mensal de 1%.

As operações direcionadas são feitas primordialmente pelos bancos públicos, a começar do BNDES, que recebe recursos do Tesouro. Podendo oferecer crédito subsidiado, o resultado é a expulsão do mercado dos bancos que atuam no segmento livre e cobram juros mais altos. Daí a disputa crescente, pelos bancos privados, das operações de crédito consignado em conta corrente, em que as prestações são debitadas em folha de pagamento. O saldo do consignado atingiu R$ 224,2 bilhões em janeiro (+16,7%, em 12 meses).

Ante a necessidade de fortalecer as contas públicas, o governo prometeu reduzir os recursos que destina ao BNDES. Se cumprir a palavra, haverá mais espaço para os bancos privados. Mas haverá uma dificuldade adicional: estarão as empresas dispostas a tomar mais crédito, para investimentos ou capital de giro?

Com os custos crescentes do crédito (o spread bancário, diferença entre os juros na captação e na aplicação, aumentou de 17,5% para 18,9%, entre dezembro e janeiro), é mais provável que as empresas relutem em tomar crédito. O reflexo dessas dúvidas já surgiu em janeiro, com a queda de 56,5% para 56,1% da relação entre o crédito e o PIB.

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