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Crédito é a saída para o médio varejo sobreviver

O aumento da oferta de crédito será fundamental para a sobrevivência do médio varejo, que tem sido fortemente pressionado pela concorrência das grandes redes. Há dois anos, a oferta de crédito para o setor de comércio começou a ganhar corpo, porém, em 2008, avanços ainda maiores são esperados, com novos instrumentos à disposição e maior esclarecimento dos tomadores. Desta vez, as chances chegam aos médios varejistas, que devem aproveitar o benefício para ampliar suas operações. Entre as opções, a que deve ter maior impacto para as empresas de médio porte do setor é a oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ainda este ano, o banco de fomento deve passar a aceitar recebíveis como garantias de financiamentos feitos ao comércio. A medida terá efeito bastante positivo para o aumento da demanda de recursos no curto prazo, segundo avaliam especialistas. O consultor estratégico do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Emerson Kapaz, lembra que o foco do BNDES sempre foi a indústria, mas esse novo instrumento sinaliza um ganho de importância do varejo. Juro menorA vantagem é que os empréstimos do BNDES são remunerados pela Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) - de 6,25% ao ano entre outubro e dezembro de 2007. O porcentual é bem mais adequado à realidade dos médios e pequenos varejistas, que têm margens bastante apertadas em razão da concorrência com os grandes e não podem pagar juros de 15% a 20% ao ano. Com o aumento da renda, os recebíveis também passam a ser mais confiáveis, já que o consumidor tem mais condições de cumprir com os pagamentos. Além disso, uma boa parte deles vem de pagamentos com cartões de crédito, cujo risco é quase totalmente bancado pela instituição financeira. O cheque, outro tipo de recebível, também é considerado relativamente seguro, com risco diluído devido aos baixos valores unitários. As entidades do comércio, porém, não conseguem estimar o potencial de crescimento de empréstimos tomados tanto em instituições públicas quanto privadas. Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, é evidente o crescimento em 2007, depois de um início tímido da oferta, ocorrido há mais de quatro anos. "Todas as grandes instituições bancárias estão voltadas para pequenas e médias empresas", diz. Dados do BNDES dão a dimensão do movimento que já vem ocorrendo no setor. Os desembolsos do banco de fomento voltados para a área de comércio e serviços, incluindo o varejo, aumentaram 73,6% entre janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 2,83 bilhões. A alta no número de operações é ainda maior, de 167,2%, e revela uma distribuição mais ampla desses recursos. Somaram 9,3 mil nos oito primeiros meses de 2006 e 25 mil em iguais meses deste ano. Mais capitalizado e com consumo aquecido, o varejo tem apresentado bons resultados. "O nosso crescimento tem sido muito maior que o da indústria. Estamos num momento que permite maior alavancagem para expansão dos negócios", diz Kapaz. Entre janeiro e julho, o volume de vendas do comércio varejista registrou aumento de 9,7%, na comparação com o mesmo período anterior, e de 10,7% em receita nominal, também nos primeiros sete meses deste ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

LORENA VIEIRA, Agencia Estado

13 de outubro de 2007 | 13h24

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