Crédito e elevação da renda garantem crescimento

Em fevereiro, os números da construção, e em especial os da área imobiliária, foram excepcionais. A cidade de São Paulo é um bom exemplo desse momento que vive o setor: o número de lançamentos foi 36% superior ao do mesmo mês de 2009. As vendas de imóveis cresceram 84% na mesma comparação. Como em 2009 o País vivia os reflexos da crise, que derrubou as vendas de imóveis, a comparação com os números do ano passado fica prejudicada. No entanto, as vendas foram as melhores desde 2004, quando a pesquisa passou a ser realizada pela atual metodologia.

Ana Maria Castelo, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Não há dúvida de que este será um ano de forte crescimento para a atividade imobiliária, e não apenas em São Paulo. Os números do emprego gerado pelas construtoras em todo o País vêm batendo todos os recordes: em fevereiro, havia mais de 1 milhão de trabalhadores em atividade, um aumento de 13% na comparação com 2008.

O crescimento expressivo dos primeiros meses de 2010 confirma a recuperação do investimento habitacional no País. Vale destacar os avanços institucionais recentes que garantiram um ambiente de maior segurança ao investidor e o crescimento da renda das famílias. A contrapartida tem sido o aumento do crédito imobiliário em condições muito mais favoráveis que até o início dos anos 2000. Assim, construtor e comprador de imóvel puderam ver o salto do volume de crédito imobiliário, que aumentou mais de dez vezes, de pouco mais de R$ 5 bilhões em 2002 para R$ 57 bilhões em 2009. E em 2010 esses números serão superados novamente.

Com a velocidade dessa recuperação surgiram receios de que o País possa estar vivendo também uma bolha imobiliária, a tal que, ao estourar causou estragos na economia americana, com reflexos em todo o mundo. É verdade que o País não dispõe ainda de indicadores confiáveis da evolução dos preços de imóveis. Porém, sabe-se que o grau de regulação do financiamento imobiliário do País é muito maior. Se assim não fosse, os agentes financeiros teriam sofrido reflexos da crise global.

O fato é que o mercado imobiliário ainda tem um longo caminho a percorrer para satisfazer a demanda crescente e ampliar a participação do crédito no PIB, que hoje mal atinge 3%. Os cenários são francamente favoráveis, embora existam lições de casa a serem feitas. De todo modo, pode-se acreditar que o mercado iniciou um ciclo virtuoso de crescimento após longo período de marasmo.

É ECONOMISTA, COORDENADORA DE PROJETOS DA FGV/IBRE

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