Crédito e moeda em ritmo contido

A nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro Nacional, distribuída sexta-feira pelo Banco Central, mostrou o quão deprimida está a economia. O estoque de crédito teve crescimento lento, de 1,2%, em março, atingindo R$ 3,06 trilhões, enquanto a base monetária e os meios de pagamento mostraram contenção. As concessões de crédito só apresentaram um ritmo forte na comparação entre fevereiro, com 18 dias úteis, e março, com 22 dias úteis, em decorrência da sazonalidade.

O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2015 | 02h04

O saldo de empréstimos às pessoas jurídicas, de R$ 1,62 trilhão, cresceu 1,6%, no mês passado e apenas 1% no primeiro trimestre, em relação ao trimestre anterior. No caso das pessoas físicas, o saldo atingiu R$ 1,43 trilhão, crescimento mensal de 0,8% e trimestral de 1,9%.

As empresas tomaram mais recursos de curto prazo, via desconto de duplicatas, e usaram mais o cartão de crédito. O avanço das operações de repasse externo e de financiamento às importações e às exportações se deve à valorização do dólar.

As pessoas físicas estão diminuindo o ritmo de tomada de empréstimos imobiliários, que cresceram 1,6%, no mês, atingindo R$ 452,1 bilhões, com predominância das operações com taxas reguladas. Na comparação em 12 meses, o crescimento ainda é elevado (26,5%).

Os saques nas cadernetas de poupança já parecem influenciar a oferta de crédito, bem como os juros: o custo dos financiamentos imobiliários a taxas reguladas aumentou de 7,8% ao ano, em fevereiro, para 8,9% ao ano, em março, e a taxas de mercado, de 12,4% ao ano para 12,9% ao ano. Ressalve-se que o custo ainda é módico, se comparado a outras linhas.

A taxa média de juros para as pessoas físicas aumentou 0,4 ponto porcentual no mês e chegou a 33,2% ao ano. Mas no cheque especial chegou a 220,4% ao ano - e mesmo assim o saldo desses empréstimos avançou 15,6% no mês, de R$ 27,8 bilhões para R$ 32,2 bilhões, mostrando a falta de liquidez de muitas famílias. No cartão de crédito, as taxas do rotativo chegaram a 345,8% ao ano.

Na média, os índices de inadimplência mostraram leve recuo, no caso das pessoas físicas (de 3,8% para 3,7%), e leve aumento, no das pessoas jurídicas (de 2% para 2,1%).

Com juros em alta e pouca moeda na praça, não só o crescimento dos empréstimos tende a continuar moderado, como os tomadores demandarão cada vez mais o crédito direcionado, se houver recursos.

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