Crédito em queda reflete a fragilidade da economia

O estoque de operações de crédito (R$ 3,16 trilhões) caiu 0,7% entre fevereiro e março, caiu 1,8% entre o último trimestre de 2015 e o primeiro trimestre de 2016 e subiu apenas 3,3% entre março de 2015 e março de 2016. Os indicadores do Banco Central (BC) mostram que o crédito continua em queda livre, o que é compatível com a perda crescente de confiança na economia, com os juros altos apesar da perda de ritmo da inflação e com a paralisia econômica, agravada pelo estágio terminal do governo Dilma Rousseff. A relação entre o crédito e o PIB diminuiu de 53,6% em fevereiro para 53,1% em março e indica estagnação nos últimos 12 meses.

O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2016 | 03h00

Um dos únicos aspectos positivos constatados na nota de crédito do BC foi o aumento de 12,2% das concessões de crédito no mês (de 21,3% para as pessoas jurídicas e de 5,6% para as pessoas físicas).

Mas este é apenas um fato episódico, pois a queda trimestral das concessões é altíssima (13,9%), atingindo 5,2% em 12 meses. A recuperação mensal só se explica pela base baixa de comparação e, provavelmente, pelo volume de renegociações. Em números dessazonalizados, mesmo em março houve queda das concessões de crédito livre e aumento das concessões de crédito direcionado, segundo análise do Banco Itaú.

O custo médio do crédito livre para pessoas jurídicas teve pequena redução em fevereiro e março, de 31,9% ao ano para 31% ao ano, mas continuou aumentando para as pessoas físicas, de 67,9% ao ano para 69,2% ao ano. Nas operações mais caras, o custo médio foi de 300,8% ao ano no cheque especial para pessoas físicas e 449,1% ao ano no rotativo do cartão de crédito. Ainda assim houve aumento das concessões de cheque especial de 5,4% entre fevereiro e março.

Uma questão intrigante é a relativa estabilidade de inadimplência, que subiu 0,1 ponto porcentual nas operações livres com empresas. Dado o aperto financeiro das companhias, exibido em outros levantamentos, é possível que os atrasos estejam camuflados pela intensificação dos refinanciamentos.

Como há similaridade entre o comportamento dos financiamentos e a atividade econômica, é mau sinal a previsão de que o crédito seguirá estagnado ou em declínio, salvo nas operações direcionadas, com juro inferior ao de mercado. A consultoria Tendências, por exemplo, prevê redução real dos empréstimos em 2016 ainda mais forte do que em 2015, superando 13% no caso das empresas.

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