Crédito em relação ao PIB é o maior desde 1995

Saldo atinge R$ 1,044 tri em maio, segundo o BC; estoque total de operações no mês representa 36,5% do PIB

Fábio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

24 de junho de 2008 | 10h50

O saldo de operações de crédito no sistema financeiro em maio atingiu R$ 1,044 trilhão, crescimento de 2,6% ante a posição de abril e uma alta de 32,4% nos últimos doze meses. No primeiro trimestre, o estoque de crédito subiu 8,8% e no acumulado dos cinco primeiros meses do ano 11,6%. O estoque total de operações representou em maio 36,5% do PIB, ante 36,2% em abril. É o maior desde janeiro de 1995, quando estava em 36,8% do PIB. Em maio do ano passado o estoque de crédito representava 31,9% do PIB. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, mantém a projeção de que o crédito atingirá 40% do PIB no final do ano, apesar da desaceleração no ritmo de crescimento do segmento pessoa física. Segundo ele, essa perda de fôlego no segmento pessoa física é compensada pela expansão dos empréstimos bancários às empresas, que estão captando menos recursos no mercado de capitais. Veja também:Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos   O volume das operações com recursos livres, aqueles que podem ser alocados livremente pelos bancos, somou R$ 746,528 bilhões, com avanço de 2,9% no mês e de 36,1% em 12 meses. Já as operações com recursos direcionados, que têm vinculação obrigatória com determinadas modalidades, somaram R$ 297,858 bilhões, com alta de 1,9% no mês e 24% em 12 meses. As operações de leasing totalizaram em maio R$ 86,005 bilhões, equivalente a um crescimento de 5,8% ante abril e de 105,4% em 12 meses. As operações que mais cresceram foram as de leasing para pessoas físicas, com alta de 8,9% no mês e 128,6% nos últimos 12 meses, totalizando R$ 42,387 bilhões. O leasing para pessoas jurídicas subiu 2,9% no mês e 86,9% em 12 meses, atingindo R$ 43,619 bilhões. Lopes avaliou que o aperto monetário iniciado pelo BC em abril e as medidas prudenciais já tomadas para as operações de crédito têm resultado na "acomodação do ritmo de crescimento do crédito para pessoa física". Altamir explicou que a taxa Selic mais alta e as decisões tomadas pelo governo, como o compulsório para depósitos interbancários de empresas de leasing, têm elevado o custo de captação dos empréstimos, o que tem aumentado a taxa de juro praticada nessas operações. Na avaliação dele, isso tem reduzido a demanda por esses financiamentos, o que tem gerado a acomodação do mercado. "As taxas de juros subiram e as famílias perceberam", afirmou.  Ele também lembrou que o prazo das operações de crédito para as pessoas física deixou de crescer nas últimas semanas. "O prazo deixou de ter um ritmo de crescimento frenético. A acomodação desses prazos torna a prestação mais elevada, o que impede alguns de tomar o crédito", disse. O chefe do Depec avaliou ainda que a acomodação do segmento de crédito para pessoa física revela que as famílias brasileiras estão "mais cautelosas" ao tomar crédito. Altamir citou ainda que é possível ver o esgotamento do espaço para crescimento de alguns segmentos específicos e deu como exemplo o crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, voltado aos trabalhadores formais e aos aposentados. Segundo ele, esse segmento avançou fortemente nos últimos anos, o que reduziu o número de potenciais tomadores de novos créditos. "Antes, a taxa de crescimento era muito maior", disse.  Inadimplência A inadimplência das operações de crédito com recursos livres ficou em 4,2% em maio, estável em relação a abril, mas em queda quando comparada com a taxa de maio de 2007, que ficou em 4,8%.  Para pessoa jurídica, a inadimplência ficou em 1,8% em maio, estável ante abril, mas em queda em comparação com maio de 2007, quando ficou em 2,6%. Já para pessoa física ficou em 7,3% em maio, alta tanto em comparação com abril (7,1%) como com o mês de maio de 2007 (7,2%). Trata-se do maior patamar do indicador desde fevereiro de 2007, quando o porcentual das parcelas de pagamento de operações de crédito com atraso superior a 90 dias era de iguais 7,3%.  Apesar desta elevação da inadimplência nos empréstimos para família, o porcentual das parcelas em atraso nas operações por pessoa jurídica permaneceu em 1,8%, mesmo patamar de abril.  Juros A taxa média de juro cobrada pelos bancos subiu para 37,6% ao ano, frente a 37,4% em abril. O spread, que representa a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes, passou para 24,5 pontos percentuais, contra 25 pontos no mês anterior. Para as pessoas físicas, o juro médio praticado em maio ficou em 47,4% ao ano, enquanto que a taxa cobrada das empresas atingiu o patamar de 26,9% ao ano.  A taxa de juros média das operações de cheque especial em maio teve a maior variação mensal dentre as modalidades de crédito, passando de 152,7% ao ano para 157,1% ao ano. No segmento pessoa jurídica, a elevação mais significativa ocorreu na conta garantida, cuja taxa média passou de 65% ao ano para 66,4% em maio. Os empréstimos para capital de giro tiveram alta na taxa de 1,2 ponto porcentual, passando de 30,1% ao ano para 31,3% em maio. (com Reuters)

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