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Crédito está se recuperando gradualmente, diz Meirelles

Presidente do BC destaca medidas, como liberação dos depósitos compulsórios e venda de dólares ao mercado

Ricardo Leopoldo e Célia Froufe, da Agência Estado

10 de novembro de 2008 | 20h21

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira, 10,  que está ocorrendo uma paulatina retomada do crédito em razão das diversas medidas tomadas pelo governo, como a liberação dos depósitos compulsórios à vista e a prazo e a venda de dólares ao mercado, além de ações dos bancos oficiais. "Nós estamos vendo uma gradativa recuperação do crédito, que não atingiu os níveis anteriores à falência do banco Lehman Brothers, mas já está se recuperando gradualmente", afirmou.  Veja também:Presidente do BCE afirma que crise ainda está em andamentoPresidente da China diz que pretende cooperar com ObamaSaiba os assuntos que serão discutidos no G-20 De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise  Meirelles referia-se a uma séria de ações como a concessão de recursos que estavam alocados no BC relativos a depósitos compulsórios, o que já registrou liberação de R$ 47 bilhões. O BC já manifestou que esse montante tem o potencial de alcançar ate R$ 160 bilhões. Conforme citado por Meirelles na semana passada, o BC já havia liberado até o dia 5 deste mês US$ 14 bilhões para injetar liquidez no mercado, em leilões de dólares com recursos das reservas, com recompra, com garantias de Global Bonds para o comércio exterior e com garantias de contratos de ACC e ACE. Ainda conforme informado por Meirelles no último dia 6, outros US$ 26 bilhões foram utilizados para reduzir a volatilidade no mercado de câmbio - foram US$ 24,5 bilhões na venda de swap cambial e US$ 1,5 bilhão pela não rolagem de swap reverso.  De acordo com economistas de bancos, empresários já começam a retomar gradualmente os projetos de investimentos, pois avaliam que os efeitos da crise financeira internacional estão passando aos poucos e que, com medidas do governo, tais como a não elevação dos juros pelo BC no último dia 29 de outubro, há uma perspectiva de que a concessão de financiamentos às companhias comece a se normalizar no começo do primeiro trimestre de 2009.   Mundo A economia mundial vai desacelerar "substancialmente" em 2009. Este foi um dos consensos aos quais chegaram os representantes de aproximadamente 40 bancos centrais do mundo que estão reunidos em São Paulo para o encontro bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), segundo relatou Meirelles. De acordo com ele, é aguardado, inclusive, que os países industrializados registrem contração do Produto Interno Bruto (PIB).  "Os emergentes continuam a crescer, mas a taxas menores", relatou Meirelles. Outro consenso ao qual chegou o grupo é de que o mercado melhorou desde o início de outubro, mas ainda está longe da normalidade. Estas conclusões foram feitas durante reuniões que ocorreram na parte da manhã, que tratou de conjuntura, e à tarde, sobre o mercado de câmbio. No início da entrevista, o presidente do BC salientou que a decisão de atitudes anticíclicas depende da situação de cada país. Ele citou como referências a conta corrente, as reservas internacionais e as contas públicas. "Cada país adota medidas convenientes a sua economia", avaliou.  De acordo com ele, o governo tem adotado medidas para preservar o País dos efeitos da crise e, entre outras, citou a liberação dos compulsórios. Meirelles lembrou que a crise começou em países desenvolvidos, mas pelos canais de crédito atingiu a economias emergentes. Ele voltou a dizer que o Brasil possui uma posição relativamente melhor do que alguns outros países e também do que a sua no passado. "Ninguém é imune à crise", disse o presidente do BC.

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